Pé diabético
O pé humano é uma
estrutura altamente especializada, que dá suporte e locomoção, além de ser
importante para a estética. É constituído de delicadas estruturas
osteomioligamentares, harmoniosamente balanceadas, visando a uma função
complexa. Para isso, conta com uma rede vascular especializada, constituída de
artérias, veias e vasos linfáticos, além de nervos.
Os diabéticos, em face da intolerância à glicose causada pela diminuição de
insulina circulante, desenvolvem problemas em vários setores do organismo, que
são tanto mais graves e precoces quando pior for o controle da hiperglicemia
(açúcar alto no sangue). A arterosclerose é muito favorecida pela diabetes e se
instala precocemente em indivíduos mal controlados.
O descontrole é a principal causa das complicações do diabetes, que incluem a
neuropatia (alteração da função do nervo) a arteriopatia (alteração do fluxo
sangüíneo pelas artérias) e a infecção (diminuição da resistência aos
micróbios). Portanto, os diabéticos que não controlam sua glicemia adequadamente
terão os problemas das extremidades, especialmente dos pés. A freqüência é tão
grande que se cunhou o termo de "Pé Diabético".
A neuropatia provoca a redução da dor e sensibilidade nos pés, levando o
paciente a ignorar dores e até feridas; e a infecção é o fator que leva, em
questão de horas ou dias, à destruição dos tecidos.
Nem sempre o tratamento clínico é suficiente e, às vezes, somos obrigados a
lançar mão da cirurgia, através das pontes, como a ponte de safena. Muitas vezes
já existe necrose. Neste caso, o cirurgião vascular realizará uma drenagem
cirúrgica ou um desbridamento da lesão, retirando a parte do tecido necrosado
(morto).
Quando a parte necrosada for extensa (gangrena), o cirurgião deverá realizar uma
amputação. Esta solução, extrema, é, às vezes, o único recurso para salvar a
vida do paciente, já que a gangrena poderá levar o paciente diabético ao óbito.
Melhor que tratar, no entanto, é evitar. Assim, o controle rigoroso da glicemia
é essencial. Dessa forma, o acompanhamento do endocrinologista é fundamental
para que o controle da doença seja próximo do ideal. O auto-exame dos pés é um
imperativo na vida do diabético.
O decálogo a seguir resume as principais recomendações para diabéticos:
1 - Examine, todos os dias, os seus pés. Verifique se existem bolhas, calos,
úlceras, micose entre os dedos ou infecções. Examine seus pés pela manhã ao
acordar, e à noite, ao deitar. Use um espelho para "olhar" as solas dos pés ou
peça a ajuda de um parente, amigo ou vizinho.
2 - Passe as mãos dentro de seus sapatos. Não use sapato antes de examiná-los
com as mãos. Não use sapatos apertados. Cuidado com sapatos novos ou sandálias.
Mas nunca ande descalço. Mesmo em casa, use um calçado. Nunca ande descalço na
praia.
3 - Lave bem e diariamente os pés, usando água morna. Use sabão neutro. Nunca
deixe de enxugar bem os pés e entre os dedos.
4 - Andar é o melhor exercício para a circulação. Ande pausadamente e de forma
regular. Mesmo alguns quarteirões por dia já são suficientes. Entretanto, no
caso de feridas ou lesões, pode ser o repouso necessário. Consulte seu médico.
5 - Abandone o hábito de fumar, para preservar a sua circulação.
6 - Corte as unhas com cuidado, evitando machucar os bordos da unha e a pele.
Não corte os calos, lixe-os delicadamente e regularmente. Não retire as
"cutículas", ela protege sua unha. Não permita que extraiam sua unha sem exame
médico prévio.
7 - Nos dias frios, proteja os pés usando meias de lã ou algodão, bem folgadas.
Nunca use nada que aperte seus pés e possa prejudicar o fluxo sangüíneo.
8 - Nunca confie em sua sensibilidade térmica (de temperatura) ou dolorosa (de
dor). Evite os excessos de calor e frio. O fato de você sentir que seu pé está
"frio" não significa que este esteja. Nunca aplique saco de água quente nos pés.
9 - Nunca use remédios ou produtos químicos nos pés sem consultar o
especialista. Devido ao diabetes, produtos corriqueiros podem ser danosos para a
sua pele.
10 - É importante que você visite seu médico com regularidade, mesmo que pense
que está tudo bem. Procure saber o endereço e os telefones de seu médico, bem
como os de seus assistentes. Se não encontrá-lo, procure um pronto-socorro.