“QUALIDADE
E RESPONSABILIDADE “
Esse
título é do Dr. Luiz Karpovas, diretor do Boletim do Colégio Brasileiro de
Radiologia e secretário da mesma entidade, o qual deu sua opinião a respeito do comportamento de alguns colegas ultrassonografistas, e que
veio ao encontro do meu pensamento, pois eu já vinha escrevendo um artigo
semelhante.
Dr.
Luiz Karpovas publicou sua opinião no Boletim do Colégio Brasileiro de
Radiologia, número 160, de junho de 2001, e perguntou: “Por que alguns
ultra-sonografistas tiram conclusões precipitadas, baseadas exclusivamente em
imagens e medições obtidas numa única investigação diagnóstica? “
Faço
a mesma pergunta! Idem para o radilogista vascular!
É
muito comum nossos clientes comentarem, ao retornarem de um exame ultrassonográfico
e radiológico vascular: Doutor, seu colega disse que eu preciso operar por ter
a doença tal, pois, do contrário, acontece isso ou aquilo comigo, e a conduta
certa é submeter-me à endoprotese e não à cirurgia propriamente dito.
“A
medicina passa por uma situação que podemos rotular de perigosa”.Você gasta
um bom tempo examinando um paciente, faz um primeiro diagnóstico clínico, pede
um exame complementar para confirmá-lo e programar um tratamento clínico ou
cirúrgico. Antes que isso aconteça, seu cliente é orientado por um colega que
não o conhece clinicamente, e que se baseou, única e exclusivamente, num exame
de imagem. É lamentável, antiético, pois tal conduta é, no mínimo,
desrespeitosa. Se você confia o encaminhamento do seu cliente a um serviço ou
a um colega para realizar um exame especializado de esclarecimento de diagnóstico,
é para recebê-lo de volta com o seu resultado e nada mais. Esse especialista,
quando interrogado pelo paciente, deve furtar-se a comentários a respeito da
doença e da conduta terapêutica; deve, sim, dizer ao paciente que suas dúvidas
serão dirimidas pelo seu médico e ponto final, ou, então, falar com o médico
do paciente. Felizmente tem exceções, e não podemos prescindir da importante
participação desses especialistas com boa formação profissional.
Na
ultra-sonografia, o resultado e a interpretação dependem, exclusivamente, do
examinador, razão por que se torna incompatível uma orientação baseada só
nela. Na radiologia vascular, ocorre o mesmo, o que equivale a dizer: estará
ele tratando imagem. Se o médico, com formação em angiologia e cirurgia
vascular, conquistar uma formação em Ultra-sonografia vascular ou radiologia
vascular, entende-se que deve conduzir o caso de um paciente por inteiro. O
ultra-sonografista e o radiologista vascular que freqüentaram cursos de
especialização de alto nível, são competentes para realizar e interpretar os
exames de suas respectivas áreas; devem, porém, limitar-se a ser mais um
especialista a elucidar o diagnóstico para fornecer importante subsídio ao
angiologista e cirurgião vascular que determinarão o melhor tratamento possível
ao cliente.
Torna-se
urgente, daqui para frente, exigir formação em angilogia e cirurgia vascular
prévia para cursar ultra-sonografia e radiologia vascular. Curitiba, já há
alguns anos, vem respeitando essa obrigatoriedade. Infelizmente, é grande o número
de colegas despreparados nessas áreas, os quais emitem laudos não confiáveis,
com erros grosseiros.
Tudo
isso acontece por falta de regulamentação da prática das especialidades, e
cumprimento do Código de Ética Médico, que deverão ser exigidos pelo CFM,
AMB e Sociedades de Especialidades.
Os
Angiologistas e Cirurgiões Vasculares brasileiros, através da SBACV Nacional e
Regionais, precisam, urgentemente, sentarem a mesa com a Sociedade de Radiologia
e Ultra-sonografia, para definirem os campos de ação de cada uma. Isto
conseguido reinará respeito mútuo
e harmonia, somando forças para a cura do paciente, a pessoa mais importante no
caso.