ESTRATÉGIA
A partir do momento em que as administradoras de planos e seguro-saúde resolveram ampliar seus lucros por meio da redução das despesas com os usuários, tiveram início as divergências entre elas e os médicos credenciados.
As administradoras encontraram um meio fácil de atingir o objetivo, isto é, reduzir os honorários dos facultativos, na contra mão da inflação e do aumento das mensalidades cobradas dos usuários, atitude conhecida ha muito, há muito tempo pelos médicos, associados e segurados, entidades de classe médica, autoridades e sociedade em geral. O médico, numa postura de autodefesa, passou a aumentar o número de pacientes atendidos num mesmo dia, reduzindo o tempo para cada consulta, tentando evitar a queda do seu faturamento.
A essas firmas, pouco lhes importa esse comportamento dos “esculápios”, pois elas alegam ainda que são lesadas por alguns maus profissionais, como se um erro justificasse o outro. Como se sabe, a procura suplanta, e muito, a oferta, razão porque, um médico sentindo-se aviltado com a grande redução dos seus honorários, se sujeita a atender o paciente pela metade do valor que o colega demissionário, ou demitido sem justa causa, vinha recebendo. Ai nos deparamos com o desvio de comportamento moral, ético alimentado pela imaturidade, egoísmo, fragilidade de espírito, atitude do levar vantagem, de difícil correção individual.
Médicos e administradoras precisam entender que o confronto puro e simples implica perda para os dois lados, embora o mais forte (o poder econômico das empresas) saia ganhando. A parceria, as cooperações mútuas trazem ganhos equilibrados.
As manchetes dos Jornais das entidades da classe médica, os Boletins das Sociedades de Especialidades comentam as mesmas lamentações. Não raro, deparamo-nos com algumas delas nos Jornais da APM, AMB, CFM, CREMESP, trazendo-nos um alento de esperança de solução desse problema. Entretanto, logo, logo, nada mais acontece, tudo se esvai, a luta enfraquece e só nos resta a Deus que nos dê a solução ideal.
Daqui para frente, importa voltar nossas atenções para a criatividade resolutiva, por meio de uma estratégia inteligente, baseada no bom senso, na justiça, na ética do equilíbrio de um trabalho de parceria, satisfazendo ambos os lados.
Será que um estudo epidemiológico, a par do diagnóstico e tratamento, como alertou meu amigo Dudu (o Prof.Dr. Eduardo de Toledo Aguiar), (para as apresentações científicas dos Encontros e Congressos), não traria maior entendimento levando à solução quase ideal dos problemas que nos afligem?
Está tornando-se cansativa, angustiante a espera da mudança desse quadro de desvantagem para os médicos em relação às empresas que os manipulam.
Queremos que prevaleça a justiça em todos os níveis desse relacionamento entre médico e administradoras de planos e seguro saúde, preservando a Ética, a cidadania.
Seria por intermédio do Credenciamento Universal? Como e quando implantá-lo?
Seria por meio de uma Copângio para a nossa sociedade? Como implantá-la? As que existem estão dando certo?
Alguém tem uma boa idéia para resolver esse problema? Você não está interessado?, sente-se imune a toda e qualquer adversidade no seu exercício profissional?
Por que não imitar a Sociedade de Anestesiologia que não aceita tabela aviltante, mesmo no setor público? Proporcionalmente os planos e seguros pagam-lhes honorários bem maior do que os nossos!
Qual seria a ESTRATÉGIA?
Passo a palavra aos colegas Presidentes da: AMB-CFM-APM-CREMESP.
Só vocês podem decidir, mas contem com nossa ajuda e apoio incondicional.
Rubem Rino
Diretor do Departamento de Defesa Profissional