BASTA DE INJUSTIÇA COM O MÉDICO

                             Protestamos, veementemente, com razão, contra a defasagem da remuneração, aviltante, de nossas consultas e cirurgias pagas pelos planos e seguradoras de saúde. Nos últimos 8 anos os índices de inflação mostram taxas de 137%, e o índice de reajuste de nossos honorários foi literalmente zero nos últimos 10 anos.

Vejam a aberração que chama a atenção: comenta-se que o atendimento a pacientes feito por alguns “hospitais”, em Angiologia e Cirurgia Vascular, onde o paciente é atendido quase que só por residentes e estagiários, no ambulatório, no pronto socorro, e são operados por estes colegas.Para esses procedimentos, os planos e as seguradoras remuneram com um valor inferior ao estipulado pela tabela da AMB de 1990, quando não o fazem por um pacote de valor englobando honorários de consulta, honorários da equipe cirúrgica e gastos hospitalares, bem aquém da realidade da tabela uma vez que é fixo, mensal, o salário daqueles colegas recém formados.

Onde ficamos nós, os Angiologistas e Cirurgiões Vasculares de todo o Brasil! De um lado sofrendo a concorrência desses serviços hospitalares, do outro, passam-se anos e anos sem uma correção dos nossos honorários por parte desses intermediadores da assistência médica, os quais nos subjugam pela força do poder econômico imensurável, fortalecida pela desunião, incompreensível, da classe médica que, se unida, mudaria substancialmente esse status quo.

Vejamos um exemplo: Um paciente portador de uma arteriopatia o qual necessita de uma correção cirúrgica seja lá de que porte for, exige do especialista vascular, que atende em consultório, gasto com a manutenção, gasto com reciclagem, Congressos, Encontros, Liderando uma entidade de especialidade, que consome tempo sem remuneração, mas com muito idealismo, acaba recebendo honorários irrisórios por procedimento que exige assistência, antes durante e depois e bem depois do ato cirúrgico.

Para completar, os Vasculares sofrem, constantemente, invasão de sua especialidade por radiologistas intervencionistas, por cardiologistas clínicos e cirurgiões, por dermatologistas, por cirurgiões plásticos, por leigos ligados a institutos de beleza, por funcionários de estabelecimento de farmácia...  INJUSTIÇA, TREMENDA INJUSTIÇA...! 

Há um verdadeiro “dumping” de pacientes de nossos consultórios!

E os demais colegas das inúmeras especialidades também vivem o mesmo drama, porém, menos intenso do que os vasculares, por sermos o “primo pobre”.

Quem sabe se um dia os nossos órgãos de classe, como um CREMESP, CFM, APM, AMB e nossa SBACV, e demais SOCIEDADES DE ESPECIALIDADES, (que lutam incessantemente), venham conseguir a valorização do médico por meio da mobilização de todas as entidades, e fazer valer o respeito mútuo entre os especialistas na área de ação.

O que temos visto é, justamente, o contrário. Enquanto colegas abandonam o plano ou seguro-saúde, cansados da exploração, ou são discredenciados por essas firmas, sumariamente, sem direito a defesa, contrariando normatização da Lei conquistada pelo CFM, uma fila de recém formados aguarda ser chamada para atender por um valor bem menor do que recebiam os afastados, graças à instalação indiscriminada de faculdades de medicina, sem condições básicas para seu funcionamento, gerando um número de médicos superior a oferta de empregos, fortalecendo o esquema dos atravessadores do atendimento médico: LUCRO, LUCRO E SOMENTE LUCRO. Nem o Executivo, nem o Legislativo, nem o Judiciário conseguem enfrentá-los para cumprirem a Lei.

O Governo não percebe o risco que corre a sociedade em geral com a conseqüente queda da qualidade do atendimento médico, além do aumento de despesas desse tipo de atendimento por inúmeras razões óbvias já comentadas?

Vejam as manchetes dos Jornais Médicos:

“Capital tem um médico para 264 habitantes” (“Não há espaço para mais cursos de medicina”)

“Vestibular concorrido e mensalidades exorbitantes”

“Ensino Médico: Graduação e Pós-Graduação”  (Muitas falhas redundando em riscos na prática médica)

“Não há Residência para todos”

“Valorização do médico mobiliza entidades”

“Mercado de trabalho médico e valorização profissional”

“CREMESP e APM conseguem liminar na justiça contra aumento do ISS”

“ANS não quer registro de planos nos CRMs”

“ANS ignora os médicos e dá 9,27% de reajuste aos planos de saúde” (Em 4 anos os reajustes dos planos de saúde estão acumulados em 32,79%, com reajuste até 3 vezes por ano, e dos médicos em ZERO).

“Teste do IDEC revela descumprimento da legislação por parte dos planos”

“Regulamentação dos planos de saúde é tema de dissertação”

“Classificação dos procedimentos médicos está na etapa final” Será cumprida pelos planos?

“Qualidade de saúde: Quem deve se preocupar?”

“Relacionamento médico com a Imprensa”

“Aula sobre direitos e deveres do médico”

“Fórum discute defesa profissional”

“Especialidades Médicas com mais Denúncia no CRM: Ginecologia e Obstetrícia; Infecção Hospitalar; Cirurgia Plástica; Ortopedia; Pronto Socorro.

 “Campanha quer coibir baixo nível da TV” (Propagandas mentirosas, enganosas e anti-Éticas de tratamento da saúde, divulgadas por “médicos” e indústrias farmacêuticas e de cosméticos.) – ÉTICA NA MÍDIA-

“Ato médico: Conservador, progressista ou reacionário?”.

“Ao povo, o direito a saúde: aos médicos, a dignidade profissional”.

“Advogados discutem planos de saúde”.

“Direitos do Paciente e do Médico”.

“Idosos são Penalizados pelos Planos em até 500% de aumento”.

“Importância do Prontuário Médico”  “Seguro contra Má Prática”.

“Os médicos e o novo código civil!” Cuidado: Muita atenção”.  

“Responsabilidade Civil, Penal e Ética do médico”.

“Erro Médico – Principais queixas”.

“Errar é um fato inerente à espécie humana e a prática médica não é exceção. Esse tipo de erro é chamado não intencional, acidente imprevisível. Ele deve ser diferenciado dos casos de imperícia, imprudência ou negligência. Eventualmente, o limite entre imperícia e o erro não intencional não é bem estabelecido. O erro não intencional pode ocorrer durante o processo de elaboração diagnóstica ou na fase terapêutica”. Santos Neto. “Brasília Médica/97”

“Medicina é paixão, mas seu pleno exercício ético esbarra nas atuais condições em que o médico exerce sua profissão”. 

“Ex-cooperados da Unimed São Paulo se reúnem na APM”

É preciso reformular as Unimeds, que ficam cometendo os mesmos erros das empresas de planos de saúde, em prejuízo dos médicos cooperados. Descumprem o código de Ética impedindo o paciente a ter livre escolha do seu médico, impedindo aos médicos, não cooperados, requeira exames e realizar procedimentos clínicos ou cirúrgicos para seus pacientes, negando reembolso de honorários médicos de acordo com o nível do seu plano.

Afinal de contas, o Código de Ética existe ou não existe?; Se existe deve ser cumprido ou não?; Como ficamos?

Os colegas que assumem a direção da Unimed esquecem sua condição anterior de cooperados e passam a agir como um diretor de qualquer outra entidade intermediadora da assistência médica, atualizam os valores das mensalidades dos pacientes, rigorosamente, mas conservam a defasagem de 12 anos dos honorários médicos, alternando a tabela da AMB, ora a de 92, ora a de 90, prejudicando o ganho dos cooperados, eleito como vilão das despesas de todos os planos de saúde, o que já foi provado que não é verdade mesmo, pela análise das planilhas de custos dessas firmas.

Os médicos cooperados precisam participar assiduamente das reuniões, acompanhando projetos de trabalhos! 

Senhores líderes de todas as Entidades da Classe Médica iniciem um trabalho de valorização profissional do médico de baixo para cima, isto é: vamos até as cidades pequenas onde atendem 10, 15 médicos e convoque-os a um descredenciamento coletivo se os planos de saúde ou mesmo a Unimed do local não aceitarem uma atualização de honorários e a  nova classificação dos procedimentos médicos. De cidade em cidade, iniciando pelas menores, passando pelas médias, só assim se sensibilizarão as grandes e até as capitais (que sempre acham um jeitinho de levar vantagem individual) para aderirem ao movimento global, maciço de descredenciamento coletivo dos planos de saúde, fazendo valer a Lei, a justiça, o direito que protege o médico. Aí seria derrotada a subserviência, a desvalorização do médico, e protegido o paciente com uma medicina de qualidade respeitável.

“Vivemos num mundo de inúmeras realidades positivas e entusiasmantes, mas que, apesar da retórica contrária, ainda privilegia o individualismo, a desunião, o radicalismo, as polarizações, o maniqueísmo, chegando ao ponto de recorrer a loucura do expediente da guerra” (Domingos Zamagna). 

 Todas essas reformulações, todas as mudanças, todas as conquistas para impor a valorização profissional, respeito ao Código de ÉTICA MÉDICA e as resoluções do CFM e dos CRMs, tudo, só depende mesmo e, tão somente, da união irrestrita, destemida, da classe médica!  UTOPIA...? Não, milagre também acontece!

 

 

Rubem Rino – Angilogia e Crurgia Vascular

CRM 10362