Biênio 2000/01 - no. 18 – Setembro/01
Baseada em recentes pesquisas e em evidências, há uma indiscutível tendência ao tratamento clínico da aterosclerose, causa maior da morbimortalidade das doenças arteriais. Investigações sobre a biologia molecular e fatores genéticos vão esclarecendo melhor a aterosclerose, permitindo retardar sua evolução. Terapias adequadas e combinadas já permitem a estabilização ou até a regressão da placa de ateroma. Deve ser considerado, ainda, que o melhor conhecimento do metabolismo do endotélio e sua reatividade, contribuirão de forma mais definitiva para o desenvolvimento do tratamento clínico nesse século, restringindo as indicações cirúrgicas.
A patologia venosa destacar-se-á pela sua prevalência. A evolução técnica da cirurgia de varizes permitirá, cada vez mais, seu tratamento ambulatorial, ou seja, com procedimentos progressivamente menos invasivos. A doença tromboembólica com seu diagnóstico bem padronizado pelos métodos não-invasivos e tratamento com heparina de baixo peso molecular, deixando de receber, paulatinamente, tratamento hospitalar. Entretanto, em nosso país, parece inevitável a possibilidade do advento da flebologia como uma especialidade totalmente independente. Ou seja, com especialidade autônoma, de forma definitiva, como já ocorre em alguns países.
É
possível, inclusive, que todos esses fatores possam
contribuir para modificar as finalidades maiores das
Sociedades Científicas, as quais nasceram como departamento
científico da Associação Médica Brasileira (AMB),
e como tal deveriam estar voltadas exclusivamente
para a ciência. É importante, desde já, iniciar a
luta para modificar esse status quo.
A. C. Simi
Vice-Presidente Mundial da
Sociedade Internacional de Cirurgia Cardiovascular
capa – Entrevista:
pg 2 Editorial, expediente e notas
pg 3 Fórum cibernético
pg 5 Reunião científica
pg 6 trabalhos científicos
pg
7 agenda
O recado deste mês é um convite geral para que todos os cirurgiões vasculares compareçam ao Congresso Brasileiro de Cirurgia Vascular que acontece este ano no Rio de Janeiro.
Este é um evento que merece respeito e que todo cirurgião separe, em sua agenda, esses quatro dias para estarem presentes, tanto no Congresso quanto na Assembléia convocada.
É necessário uma Sociedade forte para discutir e encaminhar propostas para os convênios médicos e serviços públicos de saúde, assim como para os próprios consultórios particulares, a respeito de temas como o cuidado com as indicações médicas, a ética médica e o respeito aos direitos do paciente. Todas essas propostas e discussões devem chegar a um consenso, tornando-se uma referência que contribua sempre com a melhoria da qualidade dos serviços médicos prestados.
Só que sem a participação de todos não há como estabelecer opinião geral, baseada no consenso da maioria. Ficar no consultório apenas tentando ganhar seu dinheirinho, seus R$ 30,00 ou R$ 40,00 por consulta, não contribuirá para a evolução da medicina no país.
O convite que fica aqui é para termos uma Sociedade forte, capaz de se manifestar soberanamente entre seus pares, para os outros médicos não cirurgiões vasculares e para a sociedade em geral.
O
sucesso dessa pequena ação é um pouco do que pode
garantir a construção de uma sociedade melhor para
todos nós. Compareçam!
José Mário Reis
Presidente
da SBACV
Nota
da Tesouraria:
Os sócios que ainda não quitaram a anuidade de 2001 poderão fazê-lo via depósito bancário, acrescido de multa, conforme as normas estatutárias, e enviar posteriormente o comprovante para a sede da SBACV – Regional São Paulo.
Dúvidas
podem ser esclarecidas pelo telefone (11) 5083-3686.
ENVIE
SEU RESUMO DE TRABALHO PARA APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO
NAS PRÓXIMAS REUNIÕES CIENTÍFICAS. OS TRABALHOS
DEVEM SER ENVIADOS ATÉ O DIA 15 DO MÊS ANTERIOR
AO DA PUBLICAÇÃO. ALÉM DOS RESUMOS, VOCÊ PODE PUBLICAR
TAMBÉM ARTIGOS NO BOLETIM. ENCAMINHE-OS PARA A SECRETARIA
DA SBACV OU PARA O E-MAIL boletim@sbacvsp.com.br.
Presidente: José Mário S. M. dos Reis
1o. vice: Roberto Saccilotto
2o. vice: Newton de Barros Jr.
Secretário geral: José Carlos Baptista da Silva
1o. secretário: Alexandre Mariera Anacleto
2o. secretário: Ruy Barbosa
Tesoureiro geral: Arual Giusti
1o. tesoureiro: Winston Ioshida
2o. tesoureiro: Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade
Diretor de eventos: José Augusto Costa
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Bonno Van Bellen
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Pedro Puech-Leão
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Jornalista responsável: Rose Campos - Mtb: 22.000/SP
Continuamos a divulgar as informações e discussões levantadas no Fórum
Cibernético Vascular, uma iniciativa do Dr. Bonno
Van Bellen. Apresentamos mais um caso discutido por
vários profissionais participantes do Fórum e informamos
o endereço para você também participar: forumvasc@ensino.net.
O interessado deverá enviar sua
contribuição para este endereço e o moderador do Fórum
encaminhará a matéria posteriormente para todos os
cadastrados.
Questão
117 – Arterite em mulher
Dr.
Luiz Sergio Marangão (Marilia – SP) pergunta em 21.07.01
Caros
colegas do Forum:
Paciente de sexo feminino, 40 anos, deu entrada
no Serviço de Cirurgia
Vascular da Faculade de Medicina de Marilia, com queixa
de dor em membros inferiores (Classe 4 de Rutherford).
Como antecedentes apresenta doença mista do tecido
conjuntivo em tratamento ambulatorial com predinisona
20mg/dia. É tabagista há 20 anos e refere ter hipertensão
arterial há 15anos. Nega diabetes.
Ao
exame havia ausência de pulso femoral à esquerda e
pulso femoral diminuído à direita. Todos os demais
pulsos estavam ausentes nos membros inferiores.
Ateriografia
em anexo.
Apresento as seguintes questões:
1. Qual a melhor conduta terapêutica nesse caso?
2. Anticoagulação ou antiagregação? Por quanto tempo?
Dr.
José Fernandez Montequin (Havana – Cuba) responde
em 25.07.01
La paciente atraviesa un cuadro muy complejo de tratar
por tener una enfermedad de base (del colageno?) ademas
de ser fumadora e hipertensa. No puede observarse
en la sustraccion digital, tractus de salida en la
pierna, lo cal seria necesario para practicarle una
cirugia revascularizadora distal, en caso de haber
lesiones abiertas.
Sugerencias
1) De tener lesiones distales, procurar hacer una arteriografia
convencional que nos diga como estan los tractus de
salida infrapopliteos
2) Indice de presiones y presiones segmentarias, como
estudio hemodinamico, para conocer su status de flujo.
3) Control absoluto de factores de riesgo
4) Evaluar cirugia revascularizadora distal, de tener
lesiones, como alternativa de na perdida futura o
inmediata de miembros inferiores.Tecnicas a usar,
safena invertida o in situ. Pronostico elevadamente
reservado en estos casos, repito son alternativas.
5) Personalmente prefiero anticoagulacion, y ante la
agresividad le añado antiagregacion. Controles de
INR, colageno y reptilasa, para determinar niveles
de anticoagulacion y antitromboticos.
Caro Dr. Luiz
Levando em consideração a história clínica de uma
paciente do sexo feminino,
jovem, tabagista e com dor no repouso, em associação
com a arteriografia, acho que trata-se de um caso
de Small Aortic Syndrome (Síndrome da Aorta Fina).
O diagnóstico de doença mista do tecido conjuntivo
é relevante, principalmente,
pois o uso crônico de corticosteróides pode acelerar
o processo aterosclerótico,
mas não considero a vasculite, como sendo a causa
básica do quadro de isquemia crítica da paciente.
O tratamento proposto é um bypass aorto-bifemoral
seguido de antiagregante
plaquetário do tipo AAS (mais para prevenção de evento
coronariano isquêmico e doença cérebro-vascular, do
que propriamente para aumentar a perviedade do bypass,
pois este ainda é um tema controverso).
Um forte abraço
Adotar
medidas gerais de parar de fumar e controle da HAS,
e associar
procedimentos de revascularização, tais como angioplastia
com colocação de
stents nas iliacas comuns e na iliaca externa esq.
Manter a paciente em uso de
antiagregantes plaquetários indefinidamente, apesar
do uso de anticoagulante
oral também estar indicado (contrôle ambulatorial
mais complicado).
Dr.
Luiz Sergio Marangão (Marilia – SP) acrescenta em
27.07.01
Caro
Dr Marcelo Melzer:
A recontrução do tipo aorto biilíaco é possivel, tendo
em vista os menores indices de infecção em paciente
que fará uso de corticoides por tempo
indeterminado. Agradeço as informações e coloco essa
possibilidade , pois
talvez a arteriografia não tenha ficado claro.O que
acha da endarterectomia
da aorta caso haja plano de clivagem?
Abraços.
Dr. J. A. Pereira Albino (Lisboa – Portugal ) responde
em 27.07.01
Em resposta a este caso gostava de salientar alguns pontos:
1- Penso que o quadro é consequente á vasculite apresentada pela doente
necessitando-se de se saber que tipo de vasculite
estamos em presença e se existem em circulação anticorpos
lupicos ou se tem um sindrome antifosfolipidico que
condicionara desfavoravelmente o prognostico
2- Apesar de não ter uma grande visibilidade das arteriografias parece-me
que existe sobretudo estenoses marcadas do eixo iliaco
primitivo direito e uma oclusão do eixo iliaco primitivo
esquerdo junto da emergencia com a arteria hipogastrica
que se encontra ocluida. Não existem lesões a
nivel do sector femoral mas provavelmente esta doente
tem lesões das arterias infrapopliteias facto normal
neste tipo de doença.
3- Assim a minha primeira terapêutica seria endovascular colocando endoproteses
nas lesões referidas. Tentaria realizar por abordagem
femoral.
4- Após o procedimento penso que haverá uma melhoria significativa do quadro
dada a melhporia que vamos conseguir no "in flow". No
entantto é de referir que o prognóstico a longo prazo
a meu ver não é muito favoravel pelo que é necessário
insistir com uma correção dos factores de risco e
proceder a uma antiagregação marcada com aspirina
e clopidogrel ou eventualmente com aspirina e ticlopidina.
Cumprimentos
J. A . Pereira Albino
St Marta H. Lisboa Portugal
Dr Wilson Schneider Moura (Curitiba - PR) responde
em 29.07.01
Nestes casos tivemos bons resultados a longo prazo com arterioplastia trans-operatoria
com interposição de patch de pericardio bovino, ablaçào
do tabagismo e uso de dipiridamol+pentoxifilina.Temos
tido melhora e uma marcha útil muito mais longa e
diminuição nas diárias de internação.
Caro
Dr. Luiz
Em relação ao uso da endarterectomia, no caso da sua
paciente, eu considero
que não seja o procedimento mais adequado por dois
motivos:
1. A aorta da paciente e, principalmente, as suas
ilíacas são de muito pequeno
calibre e com lesões difusas.
2. A paciente está em vigência de corticoterapia,
provavelmente de longa
data e sabemos que este fator torna os tecidos, inclusive
o sistema arterial,
mais friável, tornando um procedimento de manipulação
direta e consideravelmente traumático, como a endarterectomia,
de maior risco para ruptura e sangramento pós-operatório.
Concordo com os colegas em relação ao
controle de fatores de risco para aterosclerose e
considero que os procedimentos endovasculares, neste
caso, não teriam uma indicação precisa, por não se
tratar de uma estenose de ilíaca isolada e apresentar
comprometimento ostial na bifurcação da aorta.
Um forte abraço,
Marcelo Melzer Teruchkin
POA/RS
Caro
Luiz Sergio, concordo com o colega Marcelo Melzer
mas ainda continuaria com corticoides monitorizando
laboratorialmente evoluçao inflamatoria, eco doppler
arterial dos membros inferiores e pediria para
um colega reumatologista para acompanharmos juntos
este caso. abraços Dalton Oliveira Ourinhos Sao Paulo.
Dr. Marangao
Despues de recibir tantos
criterios, que fue lo que Ud. decidio hacer? como
evoluciono la paciente con la solucion dada o escogida
por Ud.
Gracias por la respuesta
Dr. Jose Fernandez Montequin
Habana, Cuba
Prezado Dr. Luiz Sergio Marangão
Peço responder à pergunta do Dr. Montequin que deve ser a pergunta de todos:
O que voce fez com a paciente?
Caro Luis Sérgio Moura,
De acordo com a arteriografia enviada, acho que a melhor conduta seria a
utilização de um enxerto aorto-bifemural, pois as
lesões em ambas as ilíacas são extensas, o que piora
o resultado da angioplastia mesmo com stent. O enxerto
aorto-bi-ilíaco não é aconselhável devido à rápida
progressão da doença nesta artéria. Em relação à maior
possibilidade de infecção da região inguinal pode
evitá-la com profilaxia antibiótica e cuidados locais.
Um abraço
Fernando
Dr.
Luiz Sergio Marangão (Marilia – SP) informa acerca
o tratamento realizado em 10.08.01
Prezados
colegas:
A paciente foi submetida a bypass aorto-bifemoral
com protése de dacon 16x8mm com boa evolução e resolução
do quadro de dor em repouso, recebendo alta hospitalar
no 2º PO.
Encontra
se no 12ºPO em acompanhamento ambulatorial sem
intercorrência até o momento.
Em
relação ao anti-coagulante lúpico, foi negativo e
por isso optamos apenas em mantê-la com anti-agregante
plaquetário (AAS 100mg/dia).
Agradeço a todos pelas orientações. Abraços.
Bonno Van Bellen
Reunião
científica:
SERVIÇO DA DISCIPLINA DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR DA FACULDADE DE MEDICINA DO ABC
Prof.
Dr. Ohannes Kafejian
A Faculdade de Medicina do ABC, fundada em 1969 tem como órgão mantenedor a Fundação do ABC, entidade mantida pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
O campus universitário situa-se em Santo André, e as suas atividades hospitalares são feitas no Centro Hospitalar de Santo André, Hospital Municipal Universitário de São Bernardo do Campo e Hospital de Ensino Padre Anchieta em São Bernardo do Campo.
Um grande acontecimento na FMABC foi recentemente a oficialização do convênio firmado pessoalmente pelo Exmo. Sr. Governador Geraldo Alckmin entre a FMABC e o novo Hospital Regional de Clínicas de Santo André, durante a abertura do Congresso Médico-Universitário do ABC. Neste hospital, com cerca de 400 leitos, está reservado para a disciplina uma enfermaria específica, que será somada aos outros serviços já existentes.
A Cirurgia Vascular está presente desde a fundação da FMABC inicialmente vinculada ao departamento de cirurgia, na disciplina de cirurgia cardiovascular. A partir de 1973, passou a ser responsável pelo setor o Prof. Dr. Ohannes Kafejian, graduado pela Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo, mestre, doutor e docente livre em cirurgia, professor titular da disciplina de Angiologia e Cirurgia Vascular da FMABC desde 1978. Foi também chefe do serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Heliópolis por 35 anos, onde aposentou-se em 1997.
Nas décadas de 70 e 80, as atividades práticas para os alunos da FMABC em formação, internos, estagiários e residentes foram realizadas no Hospital Municipal de Santo André, atual Centro Hospitalar de Santo André.
Os responsáveis nestas duas décadas pelas atividades didáticas, além do professor titular, foram os professores Dr.Osvaldo Cilurzo, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o saudoso Dr. Antonio Carlos Ricci e também o Dr. Arual Giusti, atual tesoureiro geral da regional São Paulo da nossa Sociedade.
Nesse mesmo período, o ensino da disciplina para os alunos do 4o. ano eram complementadas no Hospital Heliópolis por meio de atividades teórico-práticas, como cirurgias, arteriografias, atividades em enfermaria, etc. Nesta época o Prof. Kafejian instituiu neste hospital o pioneiro curso prático-intensivo de cirurgia vascular, que eram realizados anualmente, com duração de uma semana, geralmente em novembro, onde realizavam-se cirurgias arteriais de alta complexidade, tornando-se tradicional devido ao seu sucesso, com grande interesse dos cirurgiões vasculares tanto em formação como para reciclagem de seus conhecimentos.
Em 1988, iniciaram-se as atividades assistenciais de Cirurgia Vascular no Hospital de Ensino Padre Anchieta da FMABC, através da atuação do Dr. João Antonio Corrêa, que paralelamente realizava orientações aos internos e residentes de Cirurgia Geral.
Com o crescimento do serviço, em 1990, houve necessidade de contratação de novos assistentes sendo estes o Dr. Sidnei José Galego e Dr. Luciano Luis Durante, este posteriormente substituído pelo Dr. Eduardo Ramacciotti (1994).
Nesta época foi introduzido o ciclo de internato específico para internos do quinto ano com duração de 15 dias, ciclo este que persiste nos mesmos moldes até hoje, porém atualmente para os alunos de sexto ano.
Em 1996, novamente devido ao crescimento do serviço e com a ampliação das instalações hospitalares, com maior número de leitos, houve condições para a criação de estágio em cirurgia vascular com abertura de uma vaga naquele ano e duas vagas em 1997. Em 1998 houve aprovação do programa de residência médica pelo MEC de Cirurgia Vascular da FMABC, com autorização para duas vagas para R1 e duas para R2, o que possibilitou grande crescimento do serviço e renovou o entusiasmo de toda equipe.
O hospital de Ensino – Padre Anchieta –, é voltado basicamente para especialidades cirúrgicas, com 110 leitos disponíveis, um centro cirúrgico com cinco salas, todas com capacidade para cirurgias de grande porte, sendo uma delas aparelhada com arco em C digital. Possui também um Hospital Dia com nove leitos femininos e cinco masculinos e um centro cirúrgico com duas salas para cirurgias de pequeno e médio porte.
O hospital conta com uma unidade de angioradiologia, com um aparelho de angiografia digital de última geração, que possibilita exames vasculares periféricos, neurológicos e cardíacos, além dos procedimentos endovasculares. Conta ainda com aparelho ultrasom Doppler colorido, um tomógrafo, uma UTI equipada para suporte de cirurgias de alta complexidade, banco de sangue próprio e laboratório próprio.
A disciplina de Cirurgia Vascular atualmente está constituída da seguinte forma:
·
Professores da FMABC
Professor Titular: Prof. Dr. Ohannes Kafejian
Professor
Assistente: Dr. Oswaldo Cilurzo
·
Professores Assistentes do Hospital
de Ensino
Dr. João Antonio Corrêa
Dr. Sidnei José Galego
Dr. Eduardo Ramacciotti
Dra.Andréa Paula Kafejian Haddad
Dr. Vanderlei da Silva Paula
Dra.Yumiko Regina Yamazaki
Dra. Soraia Helal
Dra. Eliana K.
Yamashita
·
Professores Assistentes Colaboradores
Dr. Robson Barbosa de Miranda
Dr. Roberto Yamassaki
Dr. Cláudio A.Yokoyama
Dr. André Câmara
Dr. João Gualberto Diniz
Dr.
Heraldo Barbato
O corpo docente da disciplina possui quatro mestres e quatro professores cursando o doutorado, e todos os assistentes estão associados à nossa sociedade. Com ênfase destaca-se o assistente Vanderlei da Silva Paula, ocupando o cargo de curador no conselho de curadores da Fundação do ABC.
As atividades científicas são incentivadas junto aos alunos, aos residentes da especialidade e aos da cirurgia geral que rodiziam no serviço, participando todos os anos de congressos médicos acadêmicos, com apresentação de trabalhos científicos, além de participação nos congressos regionais e nacionais da especialidade. Possui publicações na revista da Sociedade Brasileira e Cirurgia Vascular, e em outras revistas médicas.
São realizadas reuniões científicas semanais, às quartas-feiras, com a presença de toda a equipe, sob supervisão do Prof. Titular e mensalmente é recebido um convidado de destaque nas diversas áreas da cirurgia vascular ou de especialidades afins. Às segundas feiras são realizados seminários e visitas didáticas com os internos do 6o. ano e reuniões de trabalho e também são elaborados artigos de revista com os residentes.
Destacam-se na disciplina, atualmente, as pesquisas na linha de acessos vasculares para hemodiálise, pé diabético, trombose venosa profunda, úlceras de membros inferiores e está se iniciando linha de pesquisa em linfedema e cirurgia endovascular.
As atividades hospitalares da disciplina concentram-se no Hospital de Ensino da Faculdade de Medicina do ABC – Padre Anchieta –, apoio ao Hospital Municipal Universitário de Rudge Ramos e urgências vasculares do Hospital Municipal de Santo André.
Com a criação do Hospital Dia, em 1998, houve a possibilidade de suprir a demanda reprimida de cirurgias eletivas de varizes de membros inferiores, inicialmente através da criação de sistema de mutirão, mesmo antes da recomendação do Ministério da Saúde, quando foram realizadas 72 cirurgias neste sistema, em três fases. Atualmente, por meio deste setor, realizam-se cerca de 28 cirurgias de varizes/mês, sendo um dos poucos hospitais públicos que presta este serviço rotineiramente, sem prejuízo das cirurgias complexas.
A disciplina possui 14 leitos eletivos fixos para internações de doentes arteriais e demais patologias.
São realizados cerca de 5000 atendimentos ambulatoriais/ano e uma média de 780 cirurgias/ano, sendo que destas, cerca de metade são de cirurgias arteriais. Nos atendimentos ambulatoriais são realizados pequenos procedimentos e curativos específicos como botas de Unna ( 500 /ano).
As atividades são divididas da seguinte maneira:
·
Professor Titular da Disciplina - Prof. Dr. Ohannes Kafejian
·
Responsável do Serviço do Hospital
de Ensino – Dr. João Antonio Corrêa
· Responsáveis por atividades de imagem (treinamento)
Duplex ScanDr. Roberto Yamassaki
Dr.
Robson Barbosa de Miranda
Dr. Cláudio Yokoyama
Dr. André Câmara
Dr. João Gualberto
Dr.
Heraldo Barbato
·
Exames não invasivos-
Dra. Soraia Helal
· Afecções
Venosas –
Dr. Eduardo Ramacciotti
·
Afecções Linfáticas-
Dra. Andréa Kafejian-Haddad
·
Afecções Arteriais –
Dra. Yumiko Regina Yamazaki
·
Afecções Vasculares Inflamatórias
–
Dr. Vanderley da Silva Paula
·
Acessos Vasculares –
Dr. Sidnei José Galego
·
Pé diabético -
Dr. Sidnei José Galego
·
Úlceras de membros inferiores
–
Dra Eliana Kyomi Yamashita
·
Exames Vasculares Invasivos
Dr. Vanderley da Silva Paula
A
disciplina de Angiologia e Cirurgia Vascular vem acompanhando
o grande crescimento que vem ocorrendo na Faculdade de Medicina do
ABC nos últimos oito anos, nas gestões do atual diretor
Prof. Dr. Milton Borrelli, com seu espírito empeendedor
e de liderança, possibilitou estes avanços.
Estamos conscientes que a disciplina de cirurgia vascular
da FMABC, ocupa uma posição de destaque
para a região do grande ABC, e que o hospital
de ensino da FMABC tornou-se referência
para o atendimento de todos os pacientes desta região,
portadores de afecções vasculares graves
que necessitem de cirurgias complexas.
FÍSTULA ARTERIOVENOSA SAFENO-FEMORAL SUPERFICIAL COMO ACESO À HEMODIÁLISE
– DESCRIÇÃO DE TÉCNICA OPERATÓRIA MODIFICADA E EXPERIÊNCIA
CLÍNICA INICIAL.
DISCIPLINA DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR DA FMABC
Autores: João Antonio Corrêa, Adilson Casemiro Pires, Ohannes Kafejian,
Yumiko Regina Yamazaki, Cláudio Jun Shimizu, Ana Paula Rodrigues, Fabio
Batistella
Este trabalho tem por objetivo
descrever uma técnica modificada de confecção de fístula
arteriovenosa, para acesso à hemodiálise, avaliando
os aspectos técnicos da sua confecção, sua eficácia
e suas complicações.
Foram realizadas 16 fístulas arteriovenosas
safeno-femoral superficial (FAVSFS), em 15 pacientes
no período de agosto de 1998 à outubro de 2000. Estes procedimentos foram efetuados em pacientes
sem opções de acesso
em membros superiores.
A técnica utilizada foi a anteriorização e
superficialização da veia safena magna e anastomosando-a
na artéria femoral superficial distal.
As FAVSFS foram avaliadas quanto a facilidade
de punção, flu8xo adequado, pressão venosa espontânea,
adequação de diálise e complicações. Todas as fístulas puderam ser concluídas com
sucesso, sem complicações no intra-operatório.
Houve um óbito precoce, porém as demais estavam
aptas às punções no trigésimo pós-operatório.
Quatorze foram utilizadas e na evolução, três
pacientes foram submetidos a transplante renal, quatro
apresentaram trombose, dois apresentaram pseudoaneurisma
de punção, que foram ratados, mantendo as fístulas
funcionantes. Houve um óbito durante este período, e atualmente
seis fístulas estão sendo utilizadas, tendo a mais
recente dois meses e a mais antiga 26 meses de duração.
As FAVSFS mostram-se como boa alternativa para
pacientes que não possuem outras possibilidades de
acesso em membros superiores, permitindo tratamento
hemodialítico eficaz, com boa taxa de perviedade a
médio prazo.
NOVAS
LINHAS DE PESQUISA DA DISCIPLINA DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA
VASCULAR DA FMABC –
Trombose Venosa profunda
Cirurgia Experimental
Uma das linhas de pesquisa
da disciplina de Angiologia e Cirurgia Vascular, em
conjunto com as disciplinas de Oncologia e Cirurgia
Experimental são os estudos com trombose venosa profunda
e embolia pulmonar. Além do laboratório de hemostasia,
está em fase final de implantação o laboratório de
biologia molecular, permitindo os estudos com extração
de DNA, amplificação com a técnica de PCR ( Polymerase
Chain Reaction) e avaliação das principais mutações
presentes na gênese dos fenômenos tromboembólicos.
Atualmente a disciplina participa
da coordenação de dois trials nacionais envolvendo
diferentes centros; o Cle - Trat, que avaliou prospectivamente
em estudo randomizado em 200 pacientes
a eficácia e segurança de heparina de baixo
peso molecular em dose única diária versus o tratamento
convencional com heparina IV para tratamento de TVP
proximal unilateral, resultados a serem apresentados
no ASH ( American Society of Hematology ) deste ano.
O outro Trial em andamento é o Cle-PTS, que é um estudo
prospectivo, multicêntrico que avalia o impacto econômico
dos diferentes graus de síndrome pós trombótica, incluindo
10 centros no Brasil com término previsto para final
de 2002.
Para 2002 estão sendo programados
mais 2 estudos com a participação de outros centros
envolvendo profilaxia prolongada para cirurgias maiores
oncológicas e profilaxia para cirurgias plásticas
de longa duração.
Os estudos locais desenvolvidos
com os alunos de graduação envolvem epidemiologia
dos fatores de risco para TVP e EP em pacientes críticos
de UTI e epidemiologia da embolia pulmonar, a serem
apresentados no congresso da SBACV no Rio de Janeiro.
Junto à disciplina de Técnica
Operatória, desenvolvem-se estudos experimentais com
ênfase aos acessos vasculares ( 2 teses de mestrado
de 2 colaboradores da disciplina, concluídas). Atualmente,
dois estudos experimentais envolvendo o uso de anastomoses
arteriovenosas sendo
um como acesso à quimioterapia
e outro estudando o fluxo destas anastomoses
com veias homólogas estando em fase de conclusão.
Um estudo da vascularização do estômago de cão após
ligadura parcial arterial foi concluído este ano junto
à disciplina de cirurgia geral e apresentado como
tese de mestrado de uma de suas colaboradoras junto
à disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental
da Escola Paulista de Medicina.
FLEGMASIA
CERULEA DOLENS - RELATO DE CASO
DISCIPLINA DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR
DA FMABC
Autores: Sidnei José Galego, André Câmara,
Eliana K. Yamashita, Soraia Helal, Andréa P. Kafejian-Haddad,
Rogério Duque de Almeida, Ohannes Kafejian
I.R.P.S., 53 anos, masculino, branco, casado,
natural de São Paulo (SP), procedente de São Bernardo
do Campo (SP).
Paciente
no 20o dia pós-operatório de cistoprostatectomia
radical e confecção de neobexiga ileal ortotópica,
por câncer de bexiga, manifestou, em membro inferior
esquerdo, dor, parestesia, frialdade, pele de aspecto
marmórea até região inguinal esquerda, tensão à palpação
de panturrilha e
coxa e ausência de pulsos distais , caracterizando
clinicamente um quadro de flegmasia
cerulea dolens, evoluindo com progressão ascendente.
Optou-se pela
instalação de um filtro de veia cava inferior (filtro
de Greenfield), por punção de veia femoral direita
(contralateral à lesão), seguida de flebografia, na
qual observou-se trombose das veias ilíaca, femoral
e de perna esquerda. O paciente foi posteriormente
submetido a tromboembolectomia venosa com cateter
de Fogarty, seguida de fasciotomia de perna esquerda.
No pós-operatório, apresentou insuficiência renal e
acidose, revertidas clinicamente. Os parâmetros clínicos
vasculares evoluíram com melhora progressiva, de modo
que no 20o dia pós-operatório apresentava
pulsos distais 4+/4, com manutenção da perfusão e
temperatura local. A fasciotomia apresentou boa granulação,
permitindo ao paciente deambulação plena. A realização
de flebografia tardia revelou trombos residuais em
segmento ilíaco.
No caso clínico relatado, observamos uma forma grave
de TVP, na qual as opções de tratamento combinadas
garantiram uma boa evolução, a preservação do membro
e a minimização do risco de TEP.
Artigo
???
Agenda (pág. 7)
Reuniões
Científicas Abertas a Todos os Interessados:
FACULDADE
DE MEDICINA DA USP – às quintas-feiras das 10:00
às 11:00h LOCAL: Anfiteatro – 8o. andar HC
BENEFICÊNCIA
PORTUGUESA DE SÃO PAULO – às quartas-feiras das
12:30 às 13:30h LOCAL: Anfiteatro – 2o. andar B.P.
UNIFESP
– ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA – às quintas-feiras
das 13:30 às 15:30h LOCAL: Anfiteatro – 3o. andar
H.S.P.
HOSPITAL HELIÓPOLIS – Visitas à Enfermaria
Terças-feiras
às 8:00h LOCAL: 8o. andar e P.S.
HOSPITAL
MUNICIPAL DO TATUAPÉ – Serviço de Cirurgia Vascular
– Visitas e Discussão de Casos às quintas-feiras
às 8:00 e às 14:00h LOCAL: 7o. andar
e P.S.
HOSPITAL
IPIRANGA – todas as terças-feiras – Visitas clínicas
das 9:00 às 10:00h e Reuniões clínicas das 10:30
às 11:00h LOCAL: Anfiteatro – 9o. andar
HOSPITAL
DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL – Reunião e Visita
Semanal do Serviço de Cirurgia Vascular – às segundas-feiras
a partir das 8:15h LOCAL: 14 º. Andar
HOSPITAL
DO SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL – Visita à Enfermaria
às terças-feiras das 7:30h às 9:00h, e discussão
de casos clínicos às quintas-feiras às 18:00h.
INSTITUTO
DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA – Setor de Moléstias
Vasculares – Visita e discussão de casos, às sextas-feiras,
das 8:30 às 10:30h
UNICAMP
– HOSPITAL DE CLÍNICAS – Reuniões da Disciplina
todas as terças-feiras às 8:15h LOCAL: Anfiteatro
1 º. Andar do Amb. de Cirurgia. Segue-se a discussão
de pacientes internados até 10:30h
CASA
DE SAÚDE SANTA MARCELINA – Visitas à Enfermaria
às segundas-feiras às 15:00h no 6 º. Andar às quartas-feiras
às 16:00h
INSTITUTO
DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR DE SANTOS – HOSPITAL
GUILHERME ÁLVARO – FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS
DE SANTOS – Reunião do Serviço com visita à Enfermaria
e Discussão de Casos todas as segundas-feiras às
10:00h LOCAL: Anfiteatro do Hospital Guilherme Álvaro
FACULDADE
DE MEDICINA DE BOTUCATU – HOSPITAL DAS CLÍNICAS
– Visita e Discussão de Casos – segundas-feiras
às 8:30h LOCAL: Enfermaria de Cirurgia Vascular
FACULDADE
DE MEDICINA DE SOROCABA – Hospital Regional – Visitas
e Discussões de Casos, terças-feiras às 9:30h LOCAL:
Enfermaria de Cirurgia Vascular
SANTA
CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – Disciplina de
Cirurgia Vascular. Reuniões todas as quintas-feiras
a partir das 9:00h LOCAL: 3 º. Andar do Departamento
de Cirurgia (DC 3) – Informações: tel. 11 3226-7273
ramal 5645 com sra. Denil
As inscrições estão abertas a partir de 20 de setembro até 19 de novembro de 2001, às 9h, no Anfiteatro do IMC.
Valor da inscrição: R$ 50,00
A seleção consta de: - Avaliação do Curriculum Vitae
- Prova escrita
-
Entrevista
Mais
informações pelo telefone (17) 230-8510, com Silvana
ou Elizandra (horário comercial)
XXXIV Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular
De 20 a 25 de outubro de 2001
Local:
Hotel Intercontinental Rio – Rio de Janeiro/RJ
A
programação, intensa, prevê 19 mesas redondas, 1 Simpósio
Interativo e 2 sessões de casos clínicos/cirúrgicos
com discussão interativa, todos com a duração de 1:45h,
reservando-se pelo menos 45 minutos para discussão
e perguntas. Um convidado especial fará seus comentários
ao final de cada sessão, destacando os pontos mais
interessantes e polêmicos de cada discussão.
Cursos
pré-congresso: Trauma Vascular, Cirurgia Endovascular
e Ecografia Vascular
Cursos
durante o congresso: Escleroterapia e Substâncias
Esclerosantes; Interpretação de Imagens em Terapia
Vascular; Laser no Tratamento das Lesões Vasculares;
Pé Diabético e Avançado de Cirurgia Endovascular
Estão
previstos também 51 sessões de temas-livres e 3 simpósios
satélites oferecidos pelas indústrias farmacêuticas.
Convidados estrangeiros:
Anthony
J. Camerota, MD (EUA), Américo Dinis da Gama (Portugal),
G. Melville Williams, MD (EUA), Giancarlo Biamino,
Prof. Dr. (Alemanha), Lloyd M. Taylor, MD (EUA), Luis
Mariano Ferreira, MD (Argentina), Michael D. Dake,
MD (EUA), Norman M. Rich, MD (EUA), Robert Weiss,
MD (EUA), Wolf-J Stelter, MD, PhD (Alemanha)
Informações:
e-mails:
Sociedade@sbacvrj.com.br
/ angiologia@jz.com.br
Participe:
Você pode mandar artigos e informações sobre cursos e eventos. Faça também suas críticas e sugestões ao novo Boletim Informativo da SBACV – SP. Mande seu e-mail para: sbacv@shaman.com.br. E visite também o site da Sociedade: www.sbacv.sp.org.br