Biênio 2000/2001 - no. 08– Setembro/00
Notas
Journal Club
Artigo: Hiato
Entrevista: Dor nos membros inferiores
Reunião Científica
Serv. Cir. Vascular do Hospital Heliópolis
Agenda
ENVIE SEU RESUMO DE TRABALHO PARA APRESENTAÇÃO
E DISCUSSÃO NAS PRÓXIMAS REUNIÕES
CIENTÍFICAS. OS TRABALHOS DEVEM SER ENVIADOS
ATÉ O DIA 15 DO MÊS ANTERIOR AO DA PUBLICAÇÃO.
ALÉM DOS RESUMOS, VOCÊ PODE PUBLICAR
TAMBÉM ARTIGOS NO BOLETIM. ENCAMINHE-OS PARA
A SECRETARIA DA SBACV OU PARA O E-MAIL sbacv@shaman.com.br
.
Notas:
MUDANÇA DE ENDEREÇO
Anotem o novo endereço da Regional de São
Paulo:
R. Estela, 515 - bloco A, conj. 62
Vila Mariana - São Paulo/SP 04011-002
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comunicadas pelo telefone (0__11) 279-7626. Ajude,
por favor, a divulgar este número entre os
colegas que não estejam recebendo o Boletim.
Recado ao Associado
Colabore com o censo da sociedade. Forneça
os dados dos seus colegas médicos vasculares
que não são filiados à sociedade.
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Journal Club
Responsáveis: Dr. Henrique Jorge Guedes Neto
- Diretor Científico
Nilo Izukawa - Vice-Diretor Científico
Complicações de Enxertos Artério-Venosos
em Extremidades Inferiores
em Pacientes Renais Crônico em Estágio
Final
Kristina L. Vogel et al.
South Med. Journal 93 (6), 593-595, 2000
Os autores relatam estudo retrospectivo em 843 pacientes
renais crônicos com fístulas A-V em extremidades
entre 1992 e 1996.
Os enxertos em extremidades inferiores correspondem
a 16% (134/843) e as complicações ocorreram
em 43% (58/134) destes.
A média de tempo de diálise dos pacientes
com enxerto era de 13,3 anos e tiveram uma patência
média de 8 meses.
Os fatores de oclusão foram:
- infecção em 46%
- trombose em 28% (menos de 30 dias)
- pseudo aneurisma em 16%
- hemorragia em 10%
Os AA concluem que estes acessos apesar de serem exceção,
em pacientes com longo tempo de hemodiálise
são seguros e devem ser indicados com segurança.
Dr. Ricardo Thomaz Tebaldi R-4 da Disciplina de Cir.
Vascular
da Santa Casa de São Paulo
Dr. Marcos Eduardo R. Figueira R-3
Reconstructive Surgery for Deep Venous Reflux:
A Report on 144 Cases
M. Perrin
Cardiovascular Surgery, Vol. 8, n. 4, pp 246-255,
2000
Estudo retrospectivo em 144 extremidades inferiores
de 133 pacientes em Refluxo Venoso Profundo, tratados
com cirurgia para restaurar a função
valvular.
Clinicamente todos os pacientes eram classe C5-C6
e metade eram portadores de Doença Venosa Primária
e a outra metade com Doença Venosa Secundária.
As cirurgias foram:
- valvuloplastia - 85 pacientes
- interna
- transposição - 18 pacientes
- transplante - 32 pacientes
- cirurgia de Paathakis - 9 pacientes
Flebografia pós-operatória em todos
os follow-up de 12 a 168 meses
Resultados
+ Trombose Segmentar - 20,3%
Insuf. Venosa Primária - 8,8%
Insuf. Venosa Secundária - 32,3%
Todos os resultados foram melhores nos casos de Insuficiência
Venosa Primária. (P = 0,03)
Comentários
Ainda não me sinto seguro para indicar um procedimento
sobre o Sistema Venoso Profundo.
Dr. Henrique Jorge Guedes Neto
Diretor Científico da SBACV - Regional São
Paulo
Artigo:
HIATO
Você tem sido o assunto dos amigos, a tônica
das rodinhas, comentando suas qualidades, que foram
tão marcantes a ponto de todos, unanimemente,
as enumeram: "cabra macho", autêntico,
leal, companheirão numa farra, ombro amigo
e outras mais. Porém, poucos o conheceram como
poeta (matriz e filial ?!), e este poema, escrito
e publicado nas páginas do Diário Popular,
na sessão Página literária -
teatro do cotidiano, em 13 de junho de 1982, é
a sinopse desta faceta, que foi muito compartilhada
pelos que conviveram contigo na intimidade, e que
transcrevemos a seguir, como uma carta de despedida
a seus amigos:
QUANDO FOR SAUDADES
Woady Jorge Kalil
Quanto for saudades,
Me dêem o amor,
Que por metal não é trocado,
Nem por leilão anunciado.
Quando for saudades,
Quando for saudades, Quero somente lembranças
Já sai entre os homens,
Do que pude dar, sem pensar em receber Procurando
justiça, honestidade, lealdade,
Ser perdoado pelo que neguei. Encontrando a frustração
dos desequilíbrios.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Não me lembre no feriado, Digam aos meus que
fui bravo na luta
Todos os dias reze para que tenha paz Fora dos desejos
materiais,
Sem imaginar proteções. Prisioneiro
do mundo interior.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Não me torne acontecimento social, Minha pátria
honrei,
Deixe-me fora das notícias, Meus companheiros
os aceitei,
Dos comentários de reprimendas e elogios. Os
amigos não desapontei.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Permita-me a ausência do hálito, Não
quero lágrimas, já que sofrimentos não
Vapor da existência, verei,
Propriedade dos silentes. Nem flores, porque o perfume
não sentirei,
Mas, o silêncio, o respeito e a meditação
merecerei.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Vivi o bastante para perdoar as irreverências
dos que me julgaram, Adeus filhos, esposa, amigos,
mulheres e
Para negar e consentir, mestres da vida
Sorrir e chorar. A luz apagou-se
A noite é eterna.
Estamos escrevendo-lhe, constatando que agora são
só saudades. Muitas!!!
Compadre, endereçamos esta carta para o Yatch
Club do céu, onde você deve estar, e
talvez do qual já seja o comodoro. Se já
tiver encontrado uma "Cirandella", tão
linda e tão possante como aquela daqui, convide
o Ciscato e o Albano para passear, e reserve uma cabine
pra gente.
Grande abraço Aldo , Chain e Ruy
Entrevista:
Dor nos membros inferiores - Dr. Paulo Kauffman
A dor nas pernas pode ter várias causas, mas
nem todas são de competência do cirurgião
vascular ou angiologista. Quando é este o caso,
a maioria dos diagnósticos são simples
ou podem contar com o auxílio de recursos como
o doppler. O importante é que seja bem feito,
a fim de evitar erros e imprecisões
Boletim - Por que o exame clínico dos pacientes
que se queixam de dor nas pernas é tão
importante?
DR. PAULO KAUFFMAN - Dor nas pernas é uma das
queixas mais freqüentes em consultório
médico, principalmente do angiologista. Os
pacientes costumam atribuir a dor àquilo que
eles vêem, que no caso são as veias.
Por isso procuram o especialista e sempre acham que
se trata de varizes. Se não "vêem"
as veias doloridas satisfazem-se com o diagnóstico
equivocado de varizes internas.
Boletim - Por que o médico daria neste caso
um diagnóstico equivocado ao paciente?
DR. KAUFFMAN - Isto está relacionado com a
ignorância do médico. É como dizer
que a pessoa tem uma virose quando tem uma febre e
o médico não consegue encontrar a causa.
É uma forma de tranqüilizar o paciente
e livrar-se dele, mas varizes internas é um
termo que não existe. Não se encontra
isso em lugar nenhum da literatura.
Boletim - Quais são, então, as principais
causas de dor nas pernas às quais o médico
deve estar atento?
DR. KAUFFMAN - Existe uma série de causas:
de varizes, realmente, até problemas ortopédicos,
de coluna, ósteo-articulares, musculares, ou
de deformidade dos pés, que fazem a musculatura
das pernas trabalhar de forma inadequada.
Boletim - Se a suspeita do paciente recai principalmente
sobre varizes e esta é uma causa sabidamente
importante, como identificá-las corretamente?
DR. KAUFFMAN - A dor sentida quando há varizes
é percebida como um peso e cansaço,
principalmente quando a pessoa fica em posição
ereta ou sentada por muito tempo. Essa dor desaparece
quando a pessoa se deita com as pernas elevadas. A
dor que persiste quando o indivíduo está
deitado, em geral, é decorrente de irritação
de nervos. As varizes também costumam causar
inchaço, mas esta é uma característica
que também aparece em virtude de muitas outras
causas, como insuficiência cardíaca,
hepática ou renal. Quando atingem os pequenos
vasos, as varizes raramente trazem sintomas e o problema,
em geral, é só estético. Apenas
quando ocorre em excesso, naqueles pequenos vasos
vermelhos, a mulher, principalmente, pode se queixar
de uma sensação de queimação
durante o período menstrual. Neste casos é
indicada escleroterapia, que é um tratamento
estético.
Boletim - Em que outros casos a dor pode servir de
alerta?
DR. KAUFFMAN - Pode se tratar de dor decorrente de
insuficiência de circulação arterial.
Nestes casos, a dor é chamada de claudicação
intermitente e se caracteriza por se manifestar sempre
que o paciente executa determinada atividade física.
Por exemplo, ele anda e chega num determinado ponto
em que a perna começa a doer. A dor surge quando
o indivíduo faz certa quantidade de exercícios
e se repete de forma constante. Por exemplo, a pessoa
anda 200 m e sente dor. Aí ela pára,
volta a andar e a dor volta quando ela tiver andado
mais 200 m. É diferente de uma dor como a de
érnia de disco, que surge em função
da postura e pode aparecer até se a pessoa
estiver parada. Mais preocupante é a chamada
dor isquêmica de repouso. Ela ocorre à
noite, quando o indivíduo se deita, e às
vezes acorda com esta dor. Pode se manifestar nos
dedos dos pés e obriga a pessoa a acordar e
a abaixar os pés, o que ajuda a circulação.
Às vezes até a pessoa chega a dormir
sentada, e isto é sinal de uma insuficiência
arterial já grave e representa risco de perda
de membro. É uma dor diferente da dor no nervo
e sugere um grau mais avançado do problema.
Boletim - Os médicos devem estar atentos a
que grupo específico de risco?
DR. KAUFFMAN - Àquele de pessoas acima dos
50 anos. E o cigarro é o fator de risco mais
importante no agravamento da doença arterial
periférica.
Boletim - Por que é impossível observar
tanto encaminhamento cirúrgico para as varizes.
O tratamento cirúrgico é sempre indicado?
DR. KAUFFMAN - Não. Há médicos
que indicam cirurgia de varizes quando não
há necessidade e safenectomia em pacientes
que não têm insuficiência de safena
mas que se queixam de dor nas pernas. Tanto as varizes
quanto a insuficiência arterial são facilmente
detectáveis com o exame clínico e o
ultrasson com doppler é capaz de fornecer um
diagnóstico preciso da insuficiência
da safena quando resta alguma dúvida.
Boletim - No caso da claudicação, qual
a terapêutica mais indicada?
DR. KAUFFMAN - Quando o indivíduo tem só
claudicação intermitente, o tratamento
em princípio é clínico. Também
é importante estimula-lo a andar. Em geral,
quando sente dor, o paciente tem medo de andar porque
acha que pode piorar o problema. Neste caso é
o oposto: andar é o que vai fazê-lo desempenhar
melhor a função muscular. É aconselhável
que ande até chegar a dor, páre, ande
novamente. Além, é claro, de combater
os fatores de risco: parar de fumar, controlar a pressão
arterial, a gordura alta no sangue, o diabetes, a
obesidade. Mas existe também o fator genético
nestas doenças arteriais, que não é
controlável.
Boletim - Quanto às varizes, o uso de meias
elásticas pode ser preventivo?
DR. KAUFFMAN - As meias podem adir, mas não
evitar o aparecimento de varizes. E, no nosso clima
quente, nem sempre seu uso é tolerável.
Boletim - Por que elas são mais incidentes
em mulheres?
DR. KAUFFMAN - O que desequilibra a proporção
entre homens e mulheres são os hormônios
femininos e a gestação. A gestação
é o principal fator desencadeante nas mulheres,
mas não é causal.
Boletim - Existe algum fator complicador no problema
de varizes?
DR. KAUFFMAN - A flebite (inflamação
das veias). Ela causa dor constante e piora quando
a pessoa pisa, anda, ou põe as pernas para
baixo. Mas é simples diagnosticar estes casos
com o exame clínico: as veias ficam vermelhas,
duras e bastante doloridas.
Trabalhos científicos
Pseudo-aneurisma da Aorta Abdominal e da Artéria
Femoral
Associado à Fibrodisplasia Arterial
Erasmo Simão da Silva, Fábio Lambertini
Tozzi, Milena Cristina Dias Sofia, Luiz Alberto Benvenutti,
Erasmo Magalhães Castro de Toloza
Hospital Universitário (Universidade de São
Paulo)
A paciente RAC, de 36 anos, sexo feminino, foi operada
de urgência no Hospital Universitário
em outubro de 1998, devido à presença
de um pseudo-aneurisma da aorta abdominal supra renal
manifesto no segundo mês de puerpério
de sua terceira gestação. Foi submetida
à ráfia da aorta supra-renal entre o
tronco celíaco e artéria mesentérica
superior, com boa evolução pós-operatória.
Na ocasião não apresentava febre, leucocitose
e a pesquisa para doenças como sífilis,
endocardite bacteriana, tuberculose, doenças
do tecido conectivo ou imuno-inflamatórias
e uso de drogas injetáveis foi negativa. Dezoito
meses apóes este quadro, a paciente desenvolveu
um pseudo-aneurisma da artéria femoral superficial
na transição com a artéria poplítea,
sendo operada e submetida à aneurismectomia
e reconstrução arterial com veia safena.
O exame histológico do espécime revelou
fibrodisplasia arterial na modalidade fibroplasia
da camada média.
O objetivo deste estudo é analisar a presença
de aneurisma/pseu-aneurisma relacionado à gestação-puerpério
e discutir a fibrodisplasia arterial como fator etiológico
na paciente em questão.
Reconstrução Valvular para o Tratamento
da Insuficiência Venosa Crônica dos Membro
Inferiores:
Resultados de 22 Pacientes Tratados Através
da Valvuloplastia Interna
Dr. Francisco José Osse, Dr. Luís Renato
Pegino,
Dr. Roberto Augusto Caffaro
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de
São Paulo-SP
Objetivos: A insuficiência venosa crônica
dos membros inferiores é causada pela hipertensão
venosa de longa duração devido à
insuficiência valvular com refluxo ou à
síndrome pós-trombótica com oclusão.
Os sinais e sintomas da IVC têm sido usados
para classificar o grau de severidade da doença.
Também foi demonstrado que a deterioração
hemodinâmica venose se correlaciona com este
grau de severidade. O refluxo venoso, medido pelo
ultrassom doppler, é o melhor método
de avaliação primária destes
pacientes, sendo a distribuição anatômica
da insuficiência valvular melhor estudada pela
flebografia descendente. Os objetivos do tratamento
são direcionados para a eliminação
de todo o refluxo nos sistemas superficial e profundo.
No presente estudo, todos os pacientes submetidos
à reconstrução valvular interna
foram avaliados para determinar os resultados de curto
e longo prazo, através da análise dos
sinais e sintomas pela classificação
CEAP e das alterações hemodinâmicas,
através do ultrasson doppler.
Material e métodos: De 5 de janeiro de 1998
a 4 de janeiro de 1999, 22 pacientes foram submetidos
à reconstrução valvular interna
pela técnica de Kistner em válvulas
localizadas na via femoral ???. Destes pacientes,
72,7% eram do sexo feminino (17/22) e as idades variavam
de 23 a 41 anos. Após o diagnóstico
clínico de IVC, um ultrasson doppler foi realizado
para avaliação do refluxo venoso. Todos
os pacientes apresentaram refluxo anormal no sistema
venoso superficial (safenas interna e perfuro-comunicantes).
Pacientes com refluxo anormal no sistema venoso profundo
foram submetidos a exame flebográfico descendente
para localização de válvulas
insuficientes. Sob anestesia geral, procedeu-se exploração
cirúrgica do segmento venoso compreendido entre
a veia femoral comum e o terço médio
da veia femoral superficial, localizando-se uma válvula
na junção das veias femorais superficial
e profunda em 63,6% (14) e o restante no terço
médio da veia femoral superficial (38,4% /
8), onde se realizou reconstrução valvular
interna unilateral. Em 11 pacientes (Grupo I) procedeu-se
reconstrução valvular com safenectomia
+ desconceção de perfuro-comunicantes
bilateral e em 11 pacientes (Grupo II) a safenectomia
foi realizada apenas no membro contralateral à
reconstrução valvular. Os resultados
foram avaliados através da reclassificação
clínica pelo CEAP e por ultrasson doppler de
todos os membros tratados em 30, 90, 180 e 360 dias
pós-procedimentos.
Resultados: No grupo I houve melhora na classificação
CEAP com correlação mais importante
e significativa no grupo tratado com valvuloplastia
e safenectomia; os membros tratados apenas com safenectomia
experimentaram um período de melhora dos sinais
e sintomas, porém, com recidiva gradual. Os
membros tratados apenas com valvuloplastia também
experimentaram uma melhora dos sintomas, a qual se
manteve durante todo o estudo, porém, inferior
àqueles submetidos aos dois procedimentos (VP
+ S). Os dados são apresentados pelos autores.
Conclusão: As técnicas cirúrgicas
de tratamento do refluxo venoso dos membros inferiores
produzem resultados satisfatórios por períodos
variáveis, porém apresentam recidiva,
quando aplicadas isoladamente. A combinação
do tratamento cirúrgico do sistema venoso superficial
à reconstrução valvular do sistema
venoso profundo parece produzir melhores resultados
pela correção do refluxo venoso em todos
os territórios onde a hipertensão venosa
está presente.
Kinking da Carótida Interna:
É um Diagnóstico Clinicamente Importante?
Nilce Helena Ferreira De Carvalho
Médica ultra-sonografista vascular responsável
pela clínica "Angio Diagnóstico"
Introdução: O kinking de carótida
interna é uma condição observada
rotineiramente no estudo angiográfico não
sendo comumente considerado um diagnóstico
relevante, já que o objetivo principal da aplicação
do método invasivo é a pesquisa de estenoses
determinadas pela doença aterosclerótica.
A angiografia, embora evidencie morfologicamente os
kinkings , não avalia sua repercussão
hemodinâmica.
Por outro lado, a ultra-sonografia vascular através
da técnica do mapeamento duplex colorido, possibilita
os diagnósticos anatômico e funcional
dessa condição. O kinking da artéria
carótida interna por determinar muitas vezes
um distúrbio hemodinâmico significativo
como turbilhonamento importante e aumento da velocidade
do fluxo sangüíneo, potencialmente está
relacionado ao aparecimento de fenômenos trombo
embólicos para o sistema nervoso central.
Objetivo: Avaliar a importância clínica
do kinking da carótida interna.
Materiais e métodos: Foram avaliados prospectivamente,
418 pacientes submetidos ao mapeamento duplex colorido
das carótidas, 180 dos quais apresentaram alguma
alteração no trajeto destas artérias
(43 %). Esses 180 pacientes foram avaliados bilateralmente,
através das técnicas do doppler colorido,
"power doppler" e análise espectral.
O equipamento usado foi um ecógrafo Gateway,
Diasonics com transdutores linear de 7-10 mHz, linear
de 5-7 mHz e convexo de 5 mHz. As tortuosidades das
carótidas foram analisadas considerando-se:
a associação com placas ateromatosas;
a distância da tortuosidade ao bulbo carotídeo
e as alterações hemodinâmicas
na região da tortuosidade (turbilhonamento
e/ou aumento de velocidade).
Resultados: A média de idade dos pacientes
foi 68 anos, sendo 65% deles do sexo feminino. Entre
os 180 pacientes avaliados (360 carótidas),
detectou-se 270 artérias tortuosas (77%). 86
pacientes apresentaram kinking bilateral (48%) e a
artéria carótida interna foi o vaso
que mais apresentou tortuosidades ( 95%). Em relação
à morfologia dos kinkings: 90 graus (51, 8%)
, "S" ( 24,7%), 120 graus (5,7%), 180 graus
(3, 2 %), 360 graus ou looping ( 0, 3%). A distância
do kinking em relação ao bulbo carotídeo
foi menor que 3,0 cm em 77, 8% e maior que 3,0 cm
em 22, 2% deles. Observaram-se placas na região
do kinking em 7 casos (2, 5%). Quanto à repercussão
hemodinâmica, houve turbilhonamento importante
em 36,4%, moderado em 45, 3% e ausente em 17, 3% dos
casos. Além disso, observou-se aumento significativo
da velocidade do pico sistólico em 3,2% dos
kinkings. Quanto à sintomatologia dos pacientes:
tontura (58%), síncope (22%), AIT (13%), AVC
(10%), zumbido (0,9%), assintomático (19%).
Hipertensão arterial (66%) e diabetes (11%)
foram as doenças mais freqüentemente associadas.
Conclusão: Os achados revelam que, na população
estudada, cerca de 82% dos kinkings determinaram algum
grau de turbilhonamento do fluxo sangüíneo
nas carótidas, sendo que em 3,2% deles, evidenciou-se
aumento significativo da velocidade do pico sistólico.
Embora a etiologia dos sintomas apresentados pelos
pacientes possa estar relacionada a múltiplos
fatores, a alta prevalência de tortuosidades
arteriais, com conseqüente alteração
de fluxo sangüíneo, sugere que o kinking
da artéria carótida interna, em pacientes
com queixas relacionadas ao sistema nervoso central,
possivelmente não é apenas uma curiosidade
anatômica, mas uma condição possivelmente
relacionada ao aparecimento de fenômenos tromboembólicos.
Apresentação do Serviço de Cirurgia
Vascular do Hospital Heliópolis
O Hospital Heliópolis foi criado como hospital
federal, pertencente ao Ministério da Saúde,
INAMPS, e inaugurado em 25 de abril de 1969. O centro
cirúrgico foi inaugurado em 14 de agosto de
1969, sendo que a cirurgia inaugural foi realizada
pelo Prof. Dr. Mário Ramos de Oliveira, auxiliado
pelo Prof. Dr. Manlio Speranzini, e constou de uma
cirurgia de varizes.
O primeiro chefe do Departamento de Cirurgia foi o
Prof. Dr. Manlio B. Speranzini, que convidou o Prof.
Dr. Ohannes Kafejian para formar e chefiar o serviço
de Cirurgia Vascular, que trouxe o Dr. David de Oliveira,
até hoje atuando no serviço, e o Dr.
José Carlos Ricci, já falecido.
Dentre os médicos que passaram pelo serviço,
deve-se destacar o Prof. Dr. Fuad All Assal, que realizou
trabalhos microcirúrgicos, anastomoses linfático-venosas,
em cães.
Em 1974 foi iniciada a residência médica
em Cirurgia Vascular, reconhecida pelo MEC e CNRM
e que, atualmente, conta com duas vagas para R3 e
duas para R4. Além dos residentes de cirurgia
vascular, estagiam mensalmente dois residentes (R1)
de cirurgia geral, estagiários de fisioterapia
e de enfermagem.
Até o presente momento, a residência
médica em cirurgia vascular formou 48 residentes
e três estão cursando.
Em março de 1975 o Dr. Toshio Takayanagi, então
cirurgião vascular do serviço, apresentou
na Associação Paulista de Medicina o
trabalho original intitulado "Inovações
Técnicas na Cirurgia de Varizes Visando Resultados
Estéticos", que descrevia a técnica
para utilização da agulha de crochê
no tratamento das varizes de membros inferiores. Em
agosto de 1976 (apresentado para publicação
em 17/10/75), foi publicado na Revista da Associação
Médica Brasileira, como Nota Prévia.
Em 30 de setembro de 1982, foi criado o Ambulatório
Regional de Especialidades Heliópolis, situado
à Av. Almirante Delamare, a aproximadamente
300 m do hospital, onde é realizado o atendimento
ambulatorial e cirurgias ambulatoriais.
Em 1988 o hospital foi estadualizado, ou seja, a sua
administração passou para a Secretaria
de Saúde do Estado de São Paulo e, em
31 de janeiro de 1991, foi criada a Unidade de Gestão
Assistencial I - Complexo Hospitalar de Heliópolis.
O Complexo Hospitalar Heliópolis está
localizado em uma área bastante carente e é
referência do Núcleo 5 e do ABCD, para
atendimento de cirurgia vascular (urgências
e encaminhamento para a especialidade), pela grade
instituída pela Secretaria de Saúde.
Atualmente o Serviço de Cirurgia Vascular conta
com 20 leitos fixos e o corpo clínico é
composto por sete médicos de enfermaria e sete
médicos plantonistas de cirurgia vascular,
no Pronto Socorro, o que proporciona atendimento de
urgência ininterrupto. A equipe está
sob a chefia da Dra. Regina F. Bittencourt da Costa,
desde outubro de 1997, por indicação
do Prof. Kafejian, que logo a seguir se aposentou.
O serviço presta atendimento ambulatorial (consultas,
curativos e cirurgias ambulatoriais), atendimento
de pronto socorro, cirurgias eletivas e de urgência.
Em cooperação com o Serviço de
Diganóstico por Imagem, a equipe de cirurgia
vascular realiza exames de doppler ultra-som há
dez meses e, no momento, arteriografia digital e procedimentos
endovasculares.
O hospital dispõe de um Laboratório
de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental,
com Biotério próprio, para treinamento
cirúrgico e microcirúrgico.
No ano de 1999 foram realizados 4.975 consultas e
32 cirurgias ambulatoriais; 486 cirurgias eletivas,
com uma média de permanência hospitalar
de 11,33 dias, tendo ocorrido 14 óbitos na
enfermaria.
São realizadas atividades didáticas,
voltadas para os residentes, às segundas-feiras
(com a Cardiologia) e às quintas-feiras, que
incluem, entre outras, apresentação
e discussão de casos, artigos e aulas. Além
disso, é realizada a visita geral, com discussão
de casos, às terças-feiras, às
10 horas.
O Serviço de Cirurgia Vascular dispõe
de apoio diagnóstico e terapêutico dos
serviços de Fisioterapia e Reabilitação
(localizado no memo andar), Psicologia, Nutricionismo
e Serviço Social.
A principal atividade desenvolvida pela equipe é
assistencial e, também, voltada para a formação
do residente de cirurgia vascular. Três médicos
têm pós-graduação, nível
mestrado, e três estão cursando o doutorado,
sendo que uma das teses foi desenvolvida na Técnica
Operatória e Cirurgia Experimental da instituição.
Dois médicos são docentes e quatro são
chefes de serviços de cirurgia vascular em
outros hospitais.
É uma preocupação da equipe manter-se
atualizada frente aos avanços ocorridos na
cirurgia vascular, nos últimos anos. Vivemos
uma fase de transformações e desafios
que precisam ser acrescentados ao tirocínio
médico.
Por ser um serviço público, enfrenta
as dificuldades inerentes ao sistema, exigindo um
maior esforço e criatividade para contorná-las.
Temos primado pela melhoria do tratamento ao doente,
tento no âmbito humano como na disponibilização
de recursos tecnológicos, pela integração
com outros serviços, do próprio hospital
e de outros, visando tratar o nosso doente como um
todo.
Dra. Regina de Faria Bittencourt da Costa
Agenda
Reuniões Científicas Abertas a Todos
os Interessados:
FACULDADE DE MEDICINA DA USP - às quintas-feiras
das 10:00 às 11:00h LOCAL: Anfiteatro - 8o.
andar HC
BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE SÃO PAULO
- às quartas-feiras das 12:30 às 13:30h
LOCAL: Anfiteatro - 2o. andar B.P.
UNIFESP - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA - às
quintas-feiras das 13:30 às 15:30h LOCAL: Anfiteatro
- 3o. andar H.S.P.
HOSPITAL HELIÓPOLIS - Visitas à Enfermaria
Terças-feiras às 8:00h LOCAL: 8o. andar
e P.S.
HOSPITAL MUNICIPAL DO TATUAPÉ - Serviço
de Cirurgia Vascular - Visitas e Discussão
de Casos às quintas-feiras às 8:00 e
às 14:00h LOCAL: 7o. andar e P.S.
HOSPITAL IPIRANGA - todas as terças-feiras
- Visitas clínicas das 9:00 às 10:00h
e Reuniões clínicas das 10:30 às
11:00h LOCAL: Anfiteatro - 9o. andar
HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - Reunião
e Visita Semanal do Serviço de Cirurgia Vascular
- às segundas-feiras a partir das 8:15h LOCAL:
14 º. Andar
HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL - Visita
à Enfermaria às terças-feiras
das 7:30h às 9:00h, e discussão de casos
clínicos às quintas-feiras às
18:00h.
INSTITUTO DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA - Setor de
Moléstias Vasculares - Visita e discussão
de casos, às sextas-feiras, das 8:30 às
10:30h
UNICAMP - HOSPITAL DE CLÍNICAS - Reuniões
da Disciplina todas as terças-feiras às
8:15h LOCAL: Anfiteatro 1 º. Andar do Amb. de
Cirurgia. Segue-se a discussão de pacientes
internados até 10:30h
CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA - Visitas à
Enfermaria às segundas-feiras às 15:00h
no 6 º. Andar às quartas-feiras às
16:00h
INSTITUTO DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR DE SANTOS
- HOSPITAL GUILHERME ÁLVARO - FACULDADE DE
CIÊNCIAS MÉDICAS DE SANTOS - Reunião
do Serviço com visita à Enfermaria e
Discussão de Casos todas as segundas-feiras
às 10:00h LOCAL: Anfiteatro do Hospital Guilherme
Álvaro
FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU - HOSPITAL DAS CLÍNICAS
- Visita e Discussão de Casos - segundas-feiras
às 8:30h LOCAL: Enfermaria de Cirurgia Vascular
FACULDADE DE MEDICINA DE SOROCABA - Hospital Regional
- Visitas e Discussões de Casos, terças-feiras
às 9:30h LOCAL: Enfermaria de Cirurgia Vascular
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO
- Disciplina de Cirurgia Vascular. Reuniões
todas as quintas-feiras a partir das 9:00h LOCAL:
3 º. Andar do Departamento de Cirurgia (DC 3)
- Informações: tel. 11 3226-7273 ramal
5645 com sra. Denil
Eventos nacionais
Cursos de Ultra-sonografia Vascular
"Doppler Colorido de Carótidas e Artérias
Vertebrais"
data: 17 a 21 de setembro
"Doppler Arterial e Venoso dos Membros Inferiores"
data: 13 a 17 de dezembro
coordenação: Dra. Nilce Carvalho, ultrassonografista
vascular responsável pela clínica Angiodiagnóstico
O programa aborda as bases teóricas e os aspectos
práticos da especialidade, com demonstrações
práticas e sessões de "hands on"
em equipamentos de ultra-sonografia de última
geração. Sócios da SBACV têm
5% de desconto.
Informações e inscrições:
(11) 3825-0559 / 3825-8120 c/ Sra. Vera
Curso de Linfedema
Inscrições abertas
Curso teórico e prático para tratamento
do edema linfático
Coordenação do Dr. Henrique Jorge Guedes
Neto, assistente da disciplina de Cirurgia Vascular
da Faculdade de Ciências Médicas da Santa
Casa de São Paulo, responsável pelo
Ambulatório de Linfedemas e Angioplasias e
diretor científico da Regional São Paulo
da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular
E com os fisioterapeutas Tarso Túlio Nogueira
e Elisa Helena Seixas
Informações: (11) 826-3678 / 826-5079
c/ srta. Roseli
VIII Prêmio Rocha Lima
III Congresso Médico Acadêmico
Departamento Científico do Centro Acadêmico
Rocha Lima
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade
de São Paulo
data: 5 a 7 de outubro
local: Anfiteatro de Bioquímica da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto
O Departamento Científico do Centro Acadêmico
Rocha Lima, objetiva premiar os melhores trabalhos
científicos realizados pelos alunos de Medicina,
durante o curso de graduação em atividades
de monitoria, iniciação e de estágios
junto a grupos de pesquisa. O VIII Prêmio Rocha
Lima será atribuído aos trabalhos apresentados
oralmente ou em painéis durante o III Congresso
Médico-Acadêmico.
Resumo do regulamento:
1- Categoria dos trabalhos: todas que envolvem a formação
do médico
2- Normas: ver http://www.fmrp.usp.br/carl/coma.html
3- Apresentação de trabalhos: tipo poster,
medidas do painel = 110cm x 110cm
4- Data limite para envio de resumos: 21/07/00
5- Taxa de inscrição: R$ 10,00 (sócio
CARL), R$ 15,00 (não-sócio), R$ 20,00
(outras faculdades) e R$ 20,00 (não aluno)
informações: Av. Bandeirantes, 3900
14040-220 Ribeirão Preto/SP e-mail: coma@fmrp.usp.br
1o. Curso sobre o Pé Diabético
data: 6 e 7 de outubro
local: Anfiteatro da Sociedade Brasileira de Ortopedia
e Traumatologia
R. São Sebastião, 650 - Brooklin, São
Paulo - SP
home page: http://www.sbmcp.org.br
informações: (11) 282-2518 / 282-6919
34o. Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia
Vascular
de 20 a 25 de outubro
local: Hotel Inter Continental Rio - Rio de Janeiro/RJ
tel.: (0__21) 286-2846
fax: (0__21) 537-9134
Participe:
Você pode mandar artigos e informações
sobre cursos e eventos. Faça também
suas críticas e sugestões ao novo Boletim
Informativo da SBACV - SP. Mande seu e-mail para:
sbacv@shaman.com.br.
E visite também o site da Sociedade: www.sbacv.sp.org.br
MUDANÇA DE ENDEREÇO
Anotem o novo endereço da Regional de São
Paulo:
R. Estela, 515 - bloco A, conj. 62
Vila Mariana - São Paulo/SP 04011-002