Boletim Informativo

Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular

Boletim Informativo Regional São Paulo
Biênio 2000/2001 - no. 08– Setembro/00

O Boletim Informativo é publicação oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular Regional São Paulo.

Nesta edição
Notas
Journal Club
Artigo: Hiato
Entrevista: Dor nos membros inferiores
Reunião Científica
Serv. Cir. Vascular do Hospital Heliópolis
Agenda

ENVIE SEU RESUMO DE TRABALHO PARA APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO NAS PRÓXIMAS REUNIÕES CIENTÍFICAS. OS TRABALHOS DEVEM SER ENVIADOS ATÉ O DIA 15 DO MÊS ANTERIOR AO DA PUBLICAÇÃO. ALÉM DOS RESUMOS, VOCÊ PODE PUBLICAR TAMBÉM ARTIGOS NO BOLETIM. ENCAMINHE-OS PARA A SECRETARIA DA SBACV OU PARA O E-MAIL sbacv@shaman.com.br .

Notas:
MUDANÇA DE ENDEREÇO
Anotem o novo endereço da Regional de São Paulo:
R. Estela, 515 - bloco A, conj. 62
Vila Mariana - São Paulo/SP 04011-002

Aviso da Tesouraria:
É muito importante manter-se atualizado com o pagamento da anuidade. O débito acarreta perda de direitos e, acumulados dois anos de inadimplência, isto implica na exclusão do sócio, conforme previsto nos estatutos da SBAVC.
Para evitar problemas com o recebimento dos boletos é importante manter seu endereço atualizado. Possíveis alterações podem ser comunicadas pelo telefone (0__11) 279-7626. Ajude, por favor, a divulgar este número entre os colegas que não estejam recebendo o Boletim.

Recado ao Associado
Colabore com o censo da sociedade. Forneça os dados dos seus colegas médicos vasculares que não são filiados à sociedade.
Envie por telefone ou fax: (0__11) 279-7626 ou
End.: R. Estela, 515 - bloco A, conj. 62
Vila Mariana - São Paulo/SP 04011-002
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Expediente
Presidente: José Mário S. M. dos Reis
1o. vice: Roberto Saccilotto
2o. vice: Newton de Barros Jr.
Secretário geral: José Carlos Baptista da Silva
1o. secretário: Alexandre Mariera Anacleto
2o. secretário: Ruy Barbosa
Tesoureiro geral: Arual Giusti
1o. tesoureiro: Winston Ioshida
2o. tesoureiro: Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade
Diretor de eventos: José Augusto Costa
Vice-diretor de eventos: Luiz Francisco Poli de Figueiredo
Diretor científico: Henrique J. Guedes Neto
Vice-diretor científico: Nilo Izukawa
Diretor de defesa Profissional: Luis Araújo Jr.
Vice-diretor de defesa: Walter Campos Jr.
Diretor de publicações: Jorge Agle Kalil
Vice-diretor: Aldo Ferronato
Diretor de informática: Claudio Yokoyama
Diretor de patrimônio: Fausto Miranda Jr.
Conselho superior: Antonio Carlos Simi
Bonno Van Bellen
Emil Burihan
Fausto Miranda Jr.
Francisco H. de Abreu Maffei
Pedro Puech-Leão
Wolfgang G. W. Torn
Jornalista responsável: Rose Campos - Mtb: 22.000/SP
e-mail redação: sbacv@shaman.com.br

Journal Club
Responsáveis: Dr. Henrique Jorge Guedes Neto - Diretor Científico
Nilo Izukawa - Vice-Diretor Científico

Complicações de Enxertos Artério-Venosos em Extremidades Inferiores
em Pacientes Renais Crônico em Estágio Final
Kristina L. Vogel et al.
South Med. Journal 93 (6), 593-595, 2000
Os autores relatam estudo retrospectivo em 843 pacientes renais crônicos com fístulas A-V em extremidades entre 1992 e 1996.
Os enxertos em extremidades inferiores correspondem a 16% (134/843) e as complicações ocorreram em 43% (58/134) destes.
A média de tempo de diálise dos pacientes com enxerto era de 13,3 anos e tiveram uma patência média de 8 meses.
Os fatores de oclusão foram:
- infecção em 46%
- trombose em 28% (menos de 30 dias)
- pseudo aneurisma em 16%
- hemorragia em 10%
Os AA concluem que estes acessos apesar de serem exceção, em pacientes com longo tempo de hemodiálise são seguros e devem ser indicados com segurança.
Dr. Ricardo Thomaz Tebaldi R-4 da Disciplina de Cir. Vascular
da Santa Casa de São Paulo
Dr. Marcos Eduardo R. Figueira R-3

Reconstructive Surgery for Deep Venous Reflux:
A Report on 144 Cases
M. Perrin
Cardiovascular Surgery, Vol. 8, n. 4, pp 246-255, 2000
Estudo retrospectivo em 144 extremidades inferiores de 133 pacientes em Refluxo Venoso Profundo, tratados com cirurgia para restaurar a função valvular.
Clinicamente todos os pacientes eram classe C5-C6 e metade eram portadores de Doença Venosa Primária e a outra metade com Doença Venosa Secundária.
As cirurgias foram:
- valvuloplastia - 85 pacientes
- interna
- transposição - 18 pacientes
- transplante - 32 pacientes
- cirurgia de Paathakis - 9 pacientes
Flebografia pós-operatória em todos os follow-up de 12 a 168 meses
Resultados
+ Trombose Segmentar - 20,3%
Insuf. Venosa Primária - 8,8%
Insuf. Venosa Secundária - 32,3%
Todos os resultados foram melhores nos casos de Insuficiência Venosa Primária. (P = 0,03)
Comentários
Ainda não me sinto seguro para indicar um procedimento sobre o Sistema Venoso Profundo.
Dr. Henrique Jorge Guedes Neto
Diretor Científico da SBACV - Regional São Paulo

Artigo:
HIATO
Você tem sido o assunto dos amigos, a tônica das rodinhas, comentando suas qualidades, que foram tão marcantes a ponto de todos, unanimemente, as enumeram: "cabra macho", autêntico, leal, companheirão numa farra, ombro amigo e outras mais. Porém, poucos o conheceram como poeta (matriz e filial ?!), e este poema, escrito e publicado nas páginas do Diário Popular, na sessão Página literária - teatro do cotidiano, em 13 de junho de 1982, é a sinopse desta faceta, que foi muito compartilhada pelos que conviveram contigo na intimidade, e que transcrevemos a seguir, como uma carta de despedida a seus amigos:
QUANDO FOR SAUDADES
Woady Jorge Kalil
Quanto for saudades,
Me dêem o amor,
Que por metal não é trocado,
Nem por leilão anunciado.
Quando for saudades,
Quando for saudades, Quero somente lembranças Já sai entre os homens,
Do que pude dar, sem pensar em receber Procurando justiça, honestidade, lealdade,
Ser perdoado pelo que neguei. Encontrando a frustração dos desequilíbrios.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Não me lembre no feriado, Digam aos meus que fui bravo na luta
Todos os dias reze para que tenha paz Fora dos desejos materiais,
Sem imaginar proteções. Prisioneiro do mundo interior.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Não me torne acontecimento social, Minha pátria honrei,
Deixe-me fora das notícias, Meus companheiros os aceitei,
Dos comentários de reprimendas e elogios. Os amigos não desapontei.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Permita-me a ausência do hálito, Não quero lágrimas, já que sofrimentos não
Vapor da existência, verei,
Propriedade dos silentes. Nem flores, porque o perfume não sentirei,
Mas, o silêncio, o respeito e a meditação
merecerei.
Quando for saudades, Quando for saudades,
Vivi o bastante para perdoar as irreverências dos que me julgaram, Adeus filhos, esposa, amigos, mulheres e
Para negar e consentir, mestres da vida
Sorrir e chorar. A luz apagou-se
A noite é eterna.
Estamos escrevendo-lhe, constatando que agora são só saudades. Muitas!!!
Compadre, endereçamos esta carta para o Yatch Club do céu, onde você deve estar, e talvez do qual já seja o comodoro. Se já tiver encontrado uma "Cirandella", tão linda e tão possante como aquela daqui, convide o Ciscato e o Albano para passear, e reserve uma cabine pra gente.
Grande abraço Aldo , Chain e Ruy

Entrevista:
Dor nos membros inferiores - Dr. Paulo Kauffman
A dor nas pernas pode ter várias causas, mas nem todas são de competência do cirurgião vascular ou angiologista. Quando é este o caso, a maioria dos diagnósticos são simples ou podem contar com o auxílio de recursos como o doppler. O importante é que seja bem feito, a fim de evitar erros e imprecisões
Boletim - Por que o exame clínico dos pacientes que se queixam de dor nas pernas é tão importante?
DR. PAULO KAUFFMAN - Dor nas pernas é uma das queixas mais freqüentes em consultório médico, principalmente do angiologista. Os pacientes costumam atribuir a dor àquilo que eles vêem, que no caso são as veias. Por isso procuram o especialista e sempre acham que se trata de varizes. Se não "vêem" as veias doloridas satisfazem-se com o diagnóstico equivocado de varizes internas.
Boletim - Por que o médico daria neste caso um diagnóstico equivocado ao paciente?
DR. KAUFFMAN - Isto está relacionado com a ignorância do médico. É como dizer que a pessoa tem uma virose quando tem uma febre e o médico não consegue encontrar a causa. É uma forma de tranqüilizar o paciente e livrar-se dele, mas varizes internas é um termo que não existe. Não se encontra isso em lugar nenhum da literatura.
Boletim - Quais são, então, as principais causas de dor nas pernas às quais o médico deve estar atento?
DR. KAUFFMAN - Existe uma série de causas: de varizes, realmente, até problemas ortopédicos, de coluna, ósteo-articulares, musculares, ou de deformidade dos pés, que fazem a musculatura das pernas trabalhar de forma inadequada.
Boletim - Se a suspeita do paciente recai principalmente sobre varizes e esta é uma causa sabidamente importante, como identificá-las corretamente?
DR. KAUFFMAN - A dor sentida quando há varizes é percebida como um peso e cansaço, principalmente quando a pessoa fica em posição ereta ou sentada por muito tempo. Essa dor desaparece quando a pessoa se deita com as pernas elevadas. A dor que persiste quando o indivíduo está deitado, em geral, é decorrente de irritação de nervos. As varizes também costumam causar inchaço, mas esta é uma característica que também aparece em virtude de muitas outras causas, como insuficiência cardíaca, hepática ou renal. Quando atingem os pequenos vasos, as varizes raramente trazem sintomas e o problema, em geral, é só estético. Apenas quando ocorre em excesso, naqueles pequenos vasos vermelhos, a mulher, principalmente, pode se queixar de uma sensação de queimação durante o período menstrual. Neste casos é indicada escleroterapia, que é um tratamento estético.
Boletim - Em que outros casos a dor pode servir de alerta?
DR. KAUFFMAN - Pode se tratar de dor decorrente de insuficiência de circulação arterial. Nestes casos, a dor é chamada de claudicação intermitente e se caracteriza por se manifestar sempre que o paciente executa determinada atividade física. Por exemplo, ele anda e chega num determinado ponto em que a perna começa a doer. A dor surge quando o indivíduo faz certa quantidade de exercícios e se repete de forma constante. Por exemplo, a pessoa anda 200 m e sente dor. Aí ela pára, volta a andar e a dor volta quando ela tiver andado mais 200 m. É diferente de uma dor como a de érnia de disco, que surge em função da postura e pode aparecer até se a pessoa estiver parada. Mais preocupante é a chamada dor isquêmica de repouso. Ela ocorre à noite, quando o indivíduo se deita, e às vezes acorda com esta dor. Pode se manifestar nos dedos dos pés e obriga a pessoa a acordar e a abaixar os pés, o que ajuda a circulação. Às vezes até a pessoa chega a dormir sentada, e isto é sinal de uma insuficiência arterial já grave e representa risco de perda de membro. É uma dor diferente da dor no nervo e sugere um grau mais avançado do problema.
Boletim - Os médicos devem estar atentos a que grupo específico de risco?
DR. KAUFFMAN - Àquele de pessoas acima dos 50 anos. E o cigarro é o fator de risco mais importante no agravamento da doença arterial periférica.
Boletim - Por que é impossível observar tanto encaminhamento cirúrgico para as varizes. O tratamento cirúrgico é sempre indicado?
DR. KAUFFMAN - Não. Há médicos que indicam cirurgia de varizes quando não há necessidade e safenectomia em pacientes que não têm insuficiência de safena mas que se queixam de dor nas pernas. Tanto as varizes quanto a insuficiência arterial são facilmente detectáveis com o exame clínico e o ultrasson com doppler é capaz de fornecer um diagnóstico preciso da insuficiência da safena quando resta alguma dúvida.
Boletim - No caso da claudicação, qual a terapêutica mais indicada?
DR. KAUFFMAN - Quando o indivíduo tem só claudicação intermitente, o tratamento em princípio é clínico. Também é importante estimula-lo a andar. Em geral, quando sente dor, o paciente tem medo de andar porque acha que pode piorar o problema. Neste caso é o oposto: andar é o que vai fazê-lo desempenhar melhor a função muscular. É aconselhável que ande até chegar a dor, páre, ande novamente. Além, é claro, de combater os fatores de risco: parar de fumar, controlar a pressão arterial, a gordura alta no sangue, o diabetes, a obesidade. Mas existe também o fator genético nestas doenças arteriais, que não é controlável.
Boletim - Quanto às varizes, o uso de meias elásticas pode ser preventivo?
DR. KAUFFMAN - As meias podem adir, mas não evitar o aparecimento de varizes. E, no nosso clima quente, nem sempre seu uso é tolerável.
Boletim - Por que elas são mais incidentes em mulheres?
DR. KAUFFMAN - O que desequilibra a proporção entre homens e mulheres são os hormônios femininos e a gestação. A gestação é o principal fator desencadeante nas mulheres, mas não é causal.
Boletim - Existe algum fator complicador no problema de varizes?
DR. KAUFFMAN - A flebite (inflamação das veias). Ela causa dor constante e piora quando a pessoa pisa, anda, ou põe as pernas para baixo. Mas é simples diagnosticar estes casos com o exame clínico: as veias ficam vermelhas, duras e bastante doloridas.

Trabalhos científicos
Pseudo-aneurisma da Aorta Abdominal e da Artéria Femoral
Associado à Fibrodisplasia Arterial
Erasmo Simão da Silva, Fábio Lambertini Tozzi, Milena Cristina Dias Sofia, Luiz Alberto Benvenutti, Erasmo Magalhães Castro de Toloza
Hospital Universitário (Universidade de São Paulo)
A paciente RAC, de 36 anos, sexo feminino, foi operada de urgência no Hospital Universitário em outubro de 1998, devido à presença de um pseudo-aneurisma da aorta abdominal supra renal manifesto no segundo mês de puerpério de sua terceira gestação. Foi submetida à ráfia da aorta supra-renal entre o tronco celíaco e artéria mesentérica superior, com boa evolução pós-operatória. Na ocasião não apresentava febre, leucocitose e a pesquisa para doenças como sífilis, endocardite bacteriana, tuberculose, doenças do tecido conectivo ou imuno-inflamatórias e uso de drogas injetáveis foi negativa. Dezoito meses apóes este quadro, a paciente desenvolveu um pseudo-aneurisma da artéria femoral superficial na transição com a artéria poplítea, sendo operada e submetida à aneurismectomia e reconstrução arterial com veia safena. O exame histológico do espécime revelou fibrodisplasia arterial na modalidade fibroplasia da camada média.
O objetivo deste estudo é analisar a presença de aneurisma/pseu-aneurisma relacionado à gestação-puerpério e discutir a fibrodisplasia arterial como fator etiológico na paciente em questão.

Reconstrução Valvular para o Tratamento
da Insuficiência Venosa Crônica dos Membro Inferiores:
Resultados de 22 Pacientes Tratados Através da Valvuloplastia Interna
Dr. Francisco José Osse, Dr. Luís Renato Pegino,
Dr. Roberto Augusto Caffaro
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo-SP
Objetivos: A insuficiência venosa crônica dos membros inferiores é causada pela hipertensão venosa de longa duração devido à insuficiência valvular com refluxo ou à síndrome pós-trombótica com oclusão. Os sinais e sintomas da IVC têm sido usados para classificar o grau de severidade da doença. Também foi demonstrado que a deterioração hemodinâmica venose se correlaciona com este grau de severidade. O refluxo venoso, medido pelo ultrassom doppler, é o melhor método de avaliação primária destes pacientes, sendo a distribuição anatômica da insuficiência valvular melhor estudada pela flebografia descendente. Os objetivos do tratamento são direcionados para a eliminação de todo o refluxo nos sistemas superficial e profundo. No presente estudo, todos os pacientes submetidos à reconstrução valvular interna foram avaliados para determinar os resultados de curto e longo prazo, através da análise dos sinais e sintomas pela classificação CEAP e das alterações hemodinâmicas, através do ultrasson doppler.
Material e métodos: De 5 de janeiro de 1998 a 4 de janeiro de 1999, 22 pacientes foram submetidos à reconstrução valvular interna pela técnica de Kistner em válvulas localizadas na via femoral ???. Destes pacientes, 72,7% eram do sexo feminino (17/22) e as idades variavam de 23 a 41 anos. Após o diagnóstico clínico de IVC, um ultrasson doppler foi realizado para avaliação do refluxo venoso. Todos os pacientes apresentaram refluxo anormal no sistema venoso superficial (safenas interna e perfuro-comunicantes). Pacientes com refluxo anormal no sistema venoso profundo foram submetidos a exame flebográfico descendente para localização de válvulas insuficientes. Sob anestesia geral, procedeu-se exploração cirúrgica do segmento venoso compreendido entre a veia femoral comum e o terço médio da veia femoral superficial, localizando-se uma válvula na junção das veias femorais superficial e profunda em 63,6% (14) e o restante no terço médio da veia femoral superficial (38,4% / 8), onde se realizou reconstrução valvular interna unilateral. Em 11 pacientes (Grupo I) procedeu-se reconstrução valvular com safenectomia + desconceção de perfuro-comunicantes bilateral e em 11 pacientes (Grupo II) a safenectomia foi realizada apenas no membro contralateral à reconstrução valvular. Os resultados foram avaliados através da reclassificação clínica pelo CEAP e por ultrasson doppler de todos os membros tratados em 30, 90, 180 e 360 dias pós-procedimentos.
Resultados: No grupo I houve melhora na classificação CEAP com correlação mais importante e significativa no grupo tratado com valvuloplastia e safenectomia; os membros tratados apenas com safenectomia experimentaram um período de melhora dos sinais e sintomas, porém, com recidiva gradual. Os membros tratados apenas com valvuloplastia também experimentaram uma melhora dos sintomas, a qual se manteve durante todo o estudo, porém, inferior àqueles submetidos aos dois procedimentos (VP + S). Os dados são apresentados pelos autores.
Conclusão: As técnicas cirúrgicas de tratamento do refluxo venoso dos membros inferiores produzem resultados satisfatórios por períodos variáveis, porém apresentam recidiva, quando aplicadas isoladamente. A combinação do tratamento cirúrgico do sistema venoso superficial à reconstrução valvular do sistema venoso profundo parece produzir melhores resultados pela correção do refluxo venoso em todos os territórios onde a hipertensão venosa está presente.

Kinking da Carótida Interna:
É um Diagnóstico Clinicamente Importante?
Nilce Helena Ferreira De Carvalho
Médica ultra-sonografista vascular responsável pela clínica "Angio Diagnóstico"
Introdução: O kinking de carótida interna é uma condição observada rotineiramente no estudo angiográfico não sendo comumente considerado um diagnóstico relevante, já que o objetivo principal da aplicação do método invasivo é a pesquisa de estenoses determinadas pela doença aterosclerótica.
A angiografia, embora evidencie morfologicamente os kinkings , não avalia sua repercussão hemodinâmica.
Por outro lado, a ultra-sonografia vascular através da técnica do mapeamento duplex colorido, possibilita os diagnósticos anatômico e funcional dessa condição. O kinking da artéria carótida interna por determinar muitas vezes um distúrbio hemodinâmico significativo como turbilhonamento importante e aumento da velocidade do fluxo sangüíneo, potencialmente está relacionado ao aparecimento de fenômenos trombo embólicos para o sistema nervoso central.
Objetivo: Avaliar a importância clínica do kinking da carótida interna.
Materiais e métodos: Foram avaliados prospectivamente, 418 pacientes submetidos ao mapeamento duplex colorido das carótidas, 180 dos quais apresentaram alguma alteração no trajeto destas artérias (43 %). Esses 180 pacientes foram avaliados bilateralmente, através das técnicas do doppler colorido, "power doppler" e análise espectral.
O equipamento usado foi um ecógrafo Gateway, Diasonics com transdutores linear de 7-10 mHz, linear de 5-7 mHz e convexo de 5 mHz. As tortuosidades das carótidas foram analisadas considerando-se: a associação com placas ateromatosas; a distância da tortuosidade ao bulbo carotídeo e as alterações hemodinâmicas na região da tortuosidade (turbilhonamento e/ou aumento de velocidade).
Resultados: A média de idade dos pacientes foi 68 anos, sendo 65% deles do sexo feminino. Entre os 180 pacientes avaliados (360 carótidas), detectou-se 270 artérias tortuosas (77%). 86 pacientes apresentaram kinking bilateral (48%) e a artéria carótida interna foi o vaso que mais apresentou tortuosidades ( 95%). Em relação à morfologia dos kinkings: 90 graus (51, 8%) , "S" ( 24,7%), 120 graus (5,7%), 180 graus (3, 2 %), 360 graus ou looping ( 0, 3%). A distância do kinking em relação ao bulbo carotídeo foi menor que 3,0 cm em 77, 8% e maior que 3,0 cm em 22, 2% deles. Observaram-se placas na região do kinking em 7 casos (2, 5%). Quanto à repercussão hemodinâmica, houve turbilhonamento importante em 36,4%, moderado em 45, 3% e ausente em 17, 3% dos casos. Além disso, observou-se aumento significativo da velocidade do pico sistólico em 3,2% dos kinkings. Quanto à sintomatologia dos pacientes: tontura (58%), síncope (22%), AIT (13%), AVC (10%), zumbido (0,9%), assintomático (19%). Hipertensão arterial (66%) e diabetes (11%) foram as doenças mais freqüentemente associadas.
Conclusão: Os achados revelam que, na população estudada, cerca de 82% dos kinkings determinaram algum grau de turbilhonamento do fluxo sangüíneo nas carótidas, sendo que em 3,2% deles, evidenciou-se aumento significativo da velocidade do pico sistólico. Embora a etiologia dos sintomas apresentados pelos pacientes possa estar relacionada a múltiplos fatores, a alta prevalência de tortuosidades arteriais, com conseqüente alteração de fluxo sangüíneo, sugere que o kinking da artéria carótida interna, em pacientes com queixas relacionadas ao sistema nervoso central, possivelmente não é apenas uma curiosidade anatômica, mas uma condição possivelmente relacionada ao aparecimento de fenômenos tromboembólicos.

Apresentação do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Heliópolis
O Hospital Heliópolis foi criado como hospital federal, pertencente ao Ministério da Saúde, INAMPS, e inaugurado em 25 de abril de 1969. O centro cirúrgico foi inaugurado em 14 de agosto de 1969, sendo que a cirurgia inaugural foi realizada pelo Prof. Dr. Mário Ramos de Oliveira, auxiliado pelo Prof. Dr. Manlio Speranzini, e constou de uma cirurgia de varizes.
O primeiro chefe do Departamento de Cirurgia foi o Prof. Dr. Manlio B. Speranzini, que convidou o Prof. Dr. Ohannes Kafejian para formar e chefiar o serviço de Cirurgia Vascular, que trouxe o Dr. David de Oliveira, até hoje atuando no serviço, e o Dr. José Carlos Ricci, já falecido.
Dentre os médicos que passaram pelo serviço, deve-se destacar o Prof. Dr. Fuad All Assal, que realizou trabalhos microcirúrgicos, anastomoses linfático-venosas, em cães.
Em 1974 foi iniciada a residência médica em Cirurgia Vascular, reconhecida pelo MEC e CNRM e que, atualmente, conta com duas vagas para R3 e duas para R4. Além dos residentes de cirurgia vascular, estagiam mensalmente dois residentes (R1) de cirurgia geral, estagiários de fisioterapia e de enfermagem.
Até o presente momento, a residência médica em cirurgia vascular formou 48 residentes e três estão cursando.
Em março de 1975 o Dr. Toshio Takayanagi, então cirurgião vascular do serviço, apresentou na Associação Paulista de Medicina o trabalho original intitulado "Inovações Técnicas na Cirurgia de Varizes Visando Resultados Estéticos", que descrevia a técnica para utilização da agulha de crochê no tratamento das varizes de membros inferiores. Em agosto de 1976 (apresentado para publicação em 17/10/75), foi publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, como Nota Prévia.
Em 30 de setembro de 1982, foi criado o Ambulatório Regional de Especialidades Heliópolis, situado à Av. Almirante Delamare, a aproximadamente 300 m do hospital, onde é realizado o atendimento ambulatorial e cirurgias ambulatoriais.
Em 1988 o hospital foi estadualizado, ou seja, a sua administração passou para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e, em 31 de janeiro de 1991, foi criada a Unidade de Gestão Assistencial I - Complexo Hospitalar de Heliópolis.
O Complexo Hospitalar Heliópolis está localizado em uma área bastante carente e é referência do Núcleo 5 e do ABCD, para atendimento de cirurgia vascular (urgências e encaminhamento para a especialidade), pela grade instituída pela Secretaria de Saúde.
Atualmente o Serviço de Cirurgia Vascular conta com 20 leitos fixos e o corpo clínico é composto por sete médicos de enfermaria e sete médicos plantonistas de cirurgia vascular, no Pronto Socorro, o que proporciona atendimento de urgência ininterrupto. A equipe está sob a chefia da Dra. Regina F. Bittencourt da Costa, desde outubro de 1997, por indicação do Prof. Kafejian, que logo a seguir se aposentou.
O serviço presta atendimento ambulatorial (consultas, curativos e cirurgias ambulatoriais), atendimento de pronto socorro, cirurgias eletivas e de urgência. Em cooperação com o Serviço de Diganóstico por Imagem, a equipe de cirurgia vascular realiza exames de doppler ultra-som há dez meses e, no momento, arteriografia digital e procedimentos endovasculares.
O hospital dispõe de um Laboratório de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental, com Biotério próprio, para treinamento cirúrgico e microcirúrgico.
No ano de 1999 foram realizados 4.975 consultas e 32 cirurgias ambulatoriais; 486 cirurgias eletivas, com uma média de permanência hospitalar de 11,33 dias, tendo ocorrido 14 óbitos na enfermaria.
São realizadas atividades didáticas, voltadas para os residentes, às segundas-feiras (com a Cardiologia) e às quintas-feiras, que incluem, entre outras, apresentação e discussão de casos, artigos e aulas. Além disso, é realizada a visita geral, com discussão de casos, às terças-feiras, às 10 horas.
O Serviço de Cirurgia Vascular dispõe de apoio diagnóstico e terapêutico dos serviços de Fisioterapia e Reabilitação (localizado no memo andar), Psicologia, Nutricionismo e Serviço Social.
A principal atividade desenvolvida pela equipe é assistencial e, também, voltada para a formação do residente de cirurgia vascular. Três médicos têm pós-graduação, nível mestrado, e três estão cursando o doutorado, sendo que uma das teses foi desenvolvida na Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da instituição. Dois médicos são docentes e quatro são chefes de serviços de cirurgia vascular em outros hospitais.
É uma preocupação da equipe manter-se atualizada frente aos avanços ocorridos na cirurgia vascular, nos últimos anos. Vivemos uma fase de transformações e desafios que precisam ser acrescentados ao tirocínio médico.
Por ser um serviço público, enfrenta as dificuldades inerentes ao sistema, exigindo um maior esforço e criatividade para contorná-las. Temos primado pela melhoria do tratamento ao doente, tento no âmbito humano como na disponibilização de recursos tecnológicos, pela integração com outros serviços, do próprio hospital e de outros, visando tratar o nosso doente como um todo.
Dra. Regina de Faria Bittencourt da Costa

Agenda
Reuniões Científicas Abertas a Todos os Interessados:
FACULDADE DE MEDICINA DA USP - às quintas-feiras das 10:00 às 11:00h LOCAL: Anfiteatro - 8o. andar HC
BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE SÃO PAULO - às quartas-feiras das 12:30 às 13:30h LOCAL: Anfiteatro - 2o. andar B.P.
UNIFESP - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA - às quintas-feiras das 13:30 às 15:30h LOCAL: Anfiteatro - 3o. andar H.S.P.
HOSPITAL HELIÓPOLIS - Visitas à Enfermaria Terças-feiras às 8:00h LOCAL: 8o. andar e P.S.
HOSPITAL MUNICIPAL DO TATUAPÉ - Serviço de Cirurgia Vascular - Visitas e Discussão de Casos às quintas-feiras às 8:00 e às 14:00h LOCAL: 7o. andar e P.S.
HOSPITAL IPIRANGA - todas as terças-feiras - Visitas clínicas das 9:00 às 10:00h e Reuniões clínicas das 10:30 às 11:00h LOCAL: Anfiteatro - 9o. andar
HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - Reunião e Visita Semanal do Serviço de Cirurgia Vascular - às segundas-feiras a partir das 8:15h LOCAL: 14 º. Andar
HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL - Visita à Enfermaria às terças-feiras das 7:30h às 9:00h, e discussão de casos clínicos às quintas-feiras às 18:00h.
INSTITUTO DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA - Setor de Moléstias Vasculares - Visita e discussão de casos, às sextas-feiras, das 8:30 às 10:30h
UNICAMP - HOSPITAL DE CLÍNICAS - Reuniões da Disciplina todas as terças-feiras às 8:15h LOCAL: Anfiteatro 1 º. Andar do Amb. de Cirurgia. Segue-se a discussão de pacientes internados até 10:30h
CASA DE SAÚDE SANTA MARCELINA - Visitas à Enfermaria às segundas-feiras às 15:00h no 6 º. Andar às quartas-feiras às 16:00h
INSTITUTO DE ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR DE SANTOS - HOSPITAL GUILHERME ÁLVARO - FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DE SANTOS - Reunião do Serviço com visita à Enfermaria e Discussão de Casos todas as segundas-feiras às 10:00h LOCAL: Anfiteatro do Hospital Guilherme Álvaro
FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU - HOSPITAL DAS CLÍNICAS - Visita e Discussão de Casos - segundas-feiras às 8:30h LOCAL: Enfermaria de Cirurgia Vascular
FACULDADE DE MEDICINA DE SOROCABA - Hospital Regional - Visitas e Discussões de Casos, terças-feiras às 9:30h LOCAL: Enfermaria de Cirurgia Vascular
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO - Disciplina de Cirurgia Vascular. Reuniões todas as quintas-feiras a partir das 9:00h LOCAL: 3 º. Andar do Departamento de Cirurgia (DC 3) - Informações: tel. 11 3226-7273 ramal 5645 com sra. Denil

Eventos nacionais
Cursos de Ultra-sonografia Vascular
"Doppler Colorido de Carótidas e Artérias Vertebrais"
data: 17 a 21 de setembro
"Doppler Arterial e Venoso dos Membros Inferiores"
data: 13 a 17 de dezembro
coordenação: Dra. Nilce Carvalho, ultrassonografista vascular responsável pela clínica Angiodiagnóstico
O programa aborda as bases teóricas e os aspectos práticos da especialidade, com demonstrações práticas e sessões de "hands on" em equipamentos de ultra-sonografia de última geração. Sócios da SBACV têm 5% de desconto.
Informações e inscrições: (11) 3825-0559 / 3825-8120 c/ Sra. Vera

Curso de Linfedema
Inscrições abertas
Curso teórico e prático para tratamento do edema linfático
Coordenação do Dr. Henrique Jorge Guedes Neto, assistente da disciplina de Cirurgia Vascular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, responsável pelo Ambulatório de Linfedemas e Angioplasias e diretor científico da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular
E com os fisioterapeutas Tarso Túlio Nogueira e Elisa Helena Seixas
Informações: (11) 826-3678 / 826-5079 c/ srta. Roseli

VIII Prêmio Rocha Lima
III Congresso Médico Acadêmico
Departamento Científico do Centro Acadêmico Rocha Lima
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo
data: 5 a 7 de outubro
local: Anfiteatro de Bioquímica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
O Departamento Científico do Centro Acadêmico Rocha Lima, objetiva premiar os melhores trabalhos científicos realizados pelos alunos de Medicina, durante o curso de graduação em atividades de monitoria, iniciação e de estágios junto a grupos de pesquisa. O VIII Prêmio Rocha Lima será atribuído aos trabalhos apresentados oralmente ou em painéis durante o III Congresso Médico-Acadêmico.
Resumo do regulamento:
1- Categoria dos trabalhos: todas que envolvem a formação do médico
2- Normas: ver http://www.fmrp.usp.br/carl/coma.html
3- Apresentação de trabalhos: tipo poster, medidas do painel = 110cm x 110cm
4- Data limite para envio de resumos: 21/07/00
5- Taxa de inscrição: R$ 10,00 (sócio CARL), R$ 15,00 (não-sócio), R$ 20,00 (outras faculdades) e R$ 20,00 (não aluno)
informações: Av. Bandeirantes, 3900 14040-220 Ribeirão Preto/SP e-mail: coma@fmrp.usp.br

1o. Curso sobre o Pé Diabético
data: 6 e 7 de outubro
local: Anfiteatro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
R. São Sebastião, 650 - Brooklin, São Paulo - SP
home page: http://www.sbmcp.org.br
informações: (11) 282-2518 / 282-6919

34o. Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular
de 20 a 25 de outubro
local: Hotel Inter Continental Rio - Rio de Janeiro/RJ
tel.: (0__21) 286-2846
fax: (0__21) 537-9134

Participe:
Você pode mandar artigos e informações sobre cursos e eventos. Faça também suas críticas e sugestões ao novo Boletim Informativo da SBACV - SP. Mande seu e-mail para: sbacv@shaman.com.br. E visite também o site da Sociedade: www.sbacv.sp.org.br

MUDANÇA DE ENDEREÇO
Anotem o novo endereço da Regional de São Paulo:
R. Estela, 515 - bloco A, conj. 62
Vila Mariana - São Paulo/SP 04011-002