Biênio 2000/2001 - no. 04 – Maio/00
Nesta edição
Artigo: A Inquisição é Ressuscitada
para Punir Médicos
Editorial
Notas
Journal Club
Entrevista: AVC
Reunião Científica
Serv. Cir. Vascular do Hospital das Clínicas
Agenda
Artigo
A Inquisição é Ressuscitada para
Punir Médicos
Na Idade Média judeus, ateus, bruxas, curandeiros,
enfim, todos que fossem contra o cristianismo eram
sumariamente julgados à revelia e condenados
a morrer queimados. Justo agora que Sua Eminência,
o Papa João Paulo II, vem a público
fazer a Mea Culpa de todos os desatinos cometidos
pela Igreja Católica daquela época,
eis que os senhores todo-poderosos, intermediadores
da assistência médica, ressuscitam essa
fase execrável da sociedade: o médico
que atende convênio, se não aceitar todas,
todas, TODAS MESMO, as IMPOSIÇÕES, regras,
determinações de subserviência,
de trangressão à Ética, à
Moral, à Justiça, ao Bom Senso, em nome,
e tão somente, do lucro - e que lucro! - daqueles,
é sumariamente condenado à fogueira
da exclusão da lista de credenciados da firma
a que presta serviço. Executar a exclusão
é algo que pode ser feito até por uma
simples secretária daquela empresa, sem que
haja direito, por parte do médico, a qualquer
tipo de defesa.
Quais são as imposições, as regras
dos INQUISITORES? São muitas, de caráter
nefasto, nauseabundas, insólitas, realmente
revoltantes, que se segue, sem contestação:
1- os honorários são calculados por
uma tabela e CH próprios do convênio,
sem direito a negociação de qualquer
natureza, nivelados por baixo, sem levar em conta
o tipo de plano do usuário, que lhe confere
uma valor maior de consulta;
2- sem correção dos honorários
pela inflação; ao contrário,
são sujeitos ao rebaixamento;
3- o número de médicos de uma mesma
especialidade credenciados pela empresa não
pode ultrapassar os "interesses" da mesma,
impedindo a livre escolha por parte do paciente;
4- número de exames, exames "sofisticados"
solicitados pelo médico, ficam na dependência
de aprovação prévia de um executivo
leigo da empresa a que pertence o paciente, chegando
a ser exigida uma justificação por escrito
destes pedidos, contrariando o Código de Ética
Médica, que garante sua liberdade de escolha
na conduta e procedimentos ao atender um cliente;
5- a programação de internação
de um paciente pode ou não ser aceita pelo
executivo leigo da empresa, mesmo com justificativa
(o que contraria o Código de Ética Médica);
6- um paciente só pode ser internado no mesmo
dia da cirurgia, mesmo que ela esteja programada para
as primeiras horas da manhã, impedindo um melhor
preparo prévio geral para sua cirurgia e alívio
do stress do paciente.
Se eu continuasse a enumerar outras tantas atrocidades
praticas por essa INQUISIÇÃO, gastaria
páginas e páginas, mas falo agora de
uma última exigência já cobrada
há muito por alguns convênios e que hoje
vem se generalizar: nenhum médico pode mais
ser credenciado como pessoa física; terá
de constituir uma firma, transformando-se em pessoa
jurídica. Mais uma facilitação
e segurança para a empresa intermediadora dos
serviços médicos.
De quem é a culpa desta Inquisição
existir?
Entre muitos culpados, nós, médicos,
somos os maiores de todos, pela nossa TOTAL desunião
e onipotência, que nos fragiliza e nos transforma
em presas fáceis a serem queimadas pelos algozes.
Infelizmente, começa a me dominar uma desilusão,
um desencanto com a não realização
do sonho de ver a classe médica respeitada
e com sua dignidade resgatada, porque, atingindo a
média de idade do brasileiro - 65 anos -, e
iniciando uma contagem regressiva, vou assistindo
o desmoronar do meu desejo de ver suplantada a eminente
destruição, aqui no Brasil, da mais
nobre de todas as profissões da face da Terra,
a sublime medicina.
Resta apenas uma grande esperança: de que as
futuras gerações façam valer
suas forças, reconquistando o lugar de respeito
que a Medicina Brasileira tem de direito. Mas muitos
sóis terão passado até a chegada
desse tempo tão almejado.
Futuros colegas, estudantes de medicina hoje, a solução
depende só de vocês. Darei a "mão
à palmatória" se provarem o contrário.
Dr. Rubens Rino - Cirurgião Vascular
Editorial
Por que você está na SBACV? Esta é
uma pergunta que devemos fazer à própria
sociedade, no intuito de saber o que seus membros
esperam dela e o que de fato ela pode oferecer a seus
membros.
Talvez as respostas não coincidam, mas a sociedade
tem um princípio fundamental: pessoas organizadas
conseguem defender seus direitos e propósitos.
Se não há organização,
entretanto, não se consegue atingir estes objetivos.
A saber, a possibilidade de expor e debater idéias
que sirvam de respaldo para vários procedimentos.
Do ponto de vista pessoal, os indivíduos podem
recorrer à sociedade no sentido de obter informações
e para por em discussão seus próprios
casos, pois nós devemos lembrar: em medicina,
não se é infalível, portanto,
ouvir outras opiniões e discutir seus casos
não é demérito. Ao contrário,
esta atitude constitui o caminho certo para encontrar
melhores soluções médicas para
seus pacientes.
Hoje, para se conseguir este objetivo, está
mais fácil, com o advento da Internet. Um recurso
a mais é consultar o site da sociedade e até
enviar e-mail para os diversos profissionais que fazem
parte dela.
Outra idéia da sociedade é dar respaldo
às discussões no que tange a relação
entre médicos e convênios. E destas discussões
todos temos a obrigação de participar.
Neste aspecto a sociedade já está participando,
ao lado de entidades como a Associação
Paulista de Medicina (APM), Conselho Regional de Medicina
(CRM) e Associação Médica Brasileira
(AMB), tentando defender conceitos, inicialmente genéricos,
e participar dos movimentos no sentido de melhorar
a relação médico-convênio.
Finalmente, outra das obrigações da
sociedade seria cuidar da defesa profissional no sentido
de, estabelecidas normas de procedimentos, passá-las
para seus associados para, quando eventualmente eles
tiverem contestações dos seus atos,
poderem recorrer à sociedade a fim de que seja
encaminhada sua defesa.
Além disso, também cabe à sociedade
discutir e participar do ensino em cirurgia vascular
nas faculdades, residência e pós-graduação,
para que os serviços formadores de opinião
tenham normas semelhantes.
José Mário dos Reis - presidente
ENVIE SEU RESUMO DE TRABALHO PARA APRESENTAÇÃO
E DISCUSSÃO NAS PRÓXIMAS REUNIÕES
CIENTÍFICAS. OS TRABALHOS DEVEM SER ENVIADOS
ATÉ O DIA 15 DO MÊS ANTERIOR AO DA PUBLICAÇÃO.
ALÉM DOS RESUMOS, VOCÊ PODE PUBLICAR
TAMBÉM ARTIGOS NO BOLETIM. ENCAMINHE-OS PARA
A SECRETARIA DA SBACV OU PARA O E-MAIL sbacv@shaman.com.br.
Notas:
Tem música na medicina
Nada como música para relaxar! A dra. Nilce
Carvalho, ultrassonografista vascular da Clínica
Angiodiagnóstico, levou esta máxima
à sério e pôs mãos à
obra. Ela é, há quatro anos, pianista
do Sambrasil Trio, que toca MPB instrumental de primeira.
No dia 02 de junho, uma sexta-feira, a partir das
22h, todos terão a oportunidade de conferir
seu talento musical no show que acontece no All of
Jazz, em São Paulo. Membros da sociedade não
pagam couvert. Não percam!
All of jazz: R. João Cachoeira, 1366 - telefone:
(0__11) 3849-1345
Aviso da Tesouraria:
É muito importante manter-se atualizado com
o pagamento da anuidade. O débito acarreta
perda de direitos e, acumulados dois anos de inadimplência,
isto implica na exclusão do sócio, conforme
previsto nos estatutos da SBAVC.
Para evitar problemas com o recebimento dos boletos
é importante manter seu endereço atualizado.
Possíveis alterações podem ser
comunicadas pelo telefone (0__11) 279-7626. Ajude,
por favor, a divulgar este número entre os
colegas que não estejam recebendo o Boletim.
Recado ao Associado
Colabore com o censo da sociedade. Forneça
os dados dos seus colegas médicos vasculares
que não são filiados à sociedade.
Envie por telefone ou fax: (0__11) 279-7626 ou
End.: Av. Liberdade, 486 8o. andar cj. 807
01502-001- São Paulo - SP ou
e-mail: sbacv@shaman.com.br
Journal Club
Responsáveis:
Dr. Henrique Jorge Guedes Neto - Diretor Científico
Dr. Nilo Izukawa - Vice-Diretor Científico
Angioplastia/Stent na Isquemia Crônica dos Membro
Inferiores
Gama, D.
Revista de Angiologia e Cirurgia Vascular, vol. 9,
no. 1, pág. 21-25, jan/mar/2000
O artigo relata a perspectiva de um Cirurgião
Vascular após 20 anos de experiência
com Angioplastia por balão, questionando seus
resultados e eficácia, mesmo após criação
de stents.
O autor analisa 22 trabalhos recentes, sobre isquemia
crônica dos membros inferiores, submetidos à
angioplastia e/ou stent, obtendo índices de
sucesso inferiores a 23% em 3 anos no segmento poplíteo
distal.
A principal crítica foi não terem sido
selecionados, nos trabalhos, pacientes com fatores
de risco favoráveis ao procedimento (claudicantes
estenose curta, apenas 1 stent, sem calcificação
e estenoses acima das ilíacas)
Conclui-se que a intervenção endoluminal
é válida para indivíduos sofrendo
de isquemia crítica dos membros inferiores
apenas para esperança de vida curta ou contra-indicação
absoluta para cirurgia.
Ricardo Thomaz Tebaldi
Residente do Serviço de Cirurgia Vascular e
Angiologia da S. Casa de São Paulo
Early Carotid Endarterectomy After Stroke
Perrino, P.E., Lovelock M., Shockey K.S., King D.,
Tribble C.G., Kron I.L.,
Cardiovascular Surgery, vol. 8, no. 2, pág.
116-120, march 2000
Estudo retrospectivo com 45 pacientes submetidos a
Endarterectomia de Carótida após AVCI,
divididos em 2 grupos.
Grupo I:
-20 pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico,
com menos de 6 semanas após AVC (média
de 14 dias)
Grupo II:
-25 pacientes submetidos ao mesmo tipo de procedimento
com mais de 6 semanas após AVC (média
de 129 dias)
Ambos os grupos com angiografias.
-Grupo I - 100% dos pacientes com estenose > 76%
-Grupo II - 64% dos pacientes com estenose > 76%
-Não houve mortalidade nos dois grupos e nem
deterioração neurológica
Os AA concluem que, em pacientes selecionados, a endarterectomia
de carótida pode ser realizada com segurança
antes do prazo de 6 semanas, evitando assim novas
eventuais isquemias neste período de espera.
Comentários:
-Qual será a porcentagem da transformação
de AVCI em AVCH nos casos submetidos a endarterectomia
de carótida antes de 6 semanas?
-Qual a porcentagem de pacientes que, na espera de
6 semanas, fazem outro episódio isquêmico
cerebral?
Dr. Henrique Jorge Guedes
Disciplina de Cirurgia Vascular e
Angiologia da S. Casa de São Paulo
Estudo Comparativo das Derivações Extra-Anatômicas
Femoro-Femoral e Axilo-Femoral em Relação
ao Uso de Prótese de Dacron e PTFE
Johnson, W.C, Lee, K.K., com membros do Centro Médico
de
Veteranos de Boston (J. Vasc. Surg., 1999; 30:1077-83)
Atualmente, a escolha do tipo de prótese (Dacron
ou PTFE) usada nas derivações extra-anatômicas
femoro-femorais e axilo-femorais depende principalmente
da experiência do cirurgião vascular,
pois não existem trabalhos bem documentados
com avaliação comparativa ao longo dos
anos.
Métodos:
Entre junho de 1983 e junho de 1988, pacientes do
Centro Médico Ocupacional de Veteranos que
possuíam doença oclusiva aorto ilíaca
foram submetidos de forma randomizada à derivação
extra-anatômica com prótese de politetrafluoretileno
ou dacron. O exame de doppler com detecção
do índice tornozelo/braço foi realizado
antes da cirurgia e seguidamente em várias
séries após a cirurgia. Foram avaliados
a cada três meses no primeiro ano e a cada seis
meses após. Todos os pacientes foram instruídos
a tomar 650mg de aspirina diariamente durante o estudo.
As derivações foram consideradas pérvias
por critério clínico e dopplerimétrico.
Resultados:
340 pacientes foram submetidos à derivações
femoro-femoral e 79 pacientes à derivação
axilo-femoral ou axilo-bifemoral, com próteses,
sendo todos randomizados.
A indicação da operação
em 72% dos pacientes foi para salvamento de membro.
A taxa de perviedade primária para a derivação
com Dacron foi de 79% no primeiro ano, 63% no terceiro
ano e 50% no quinto ano. Para a derivação
com PTFE obteve-se perviedade de 77% no primeiro ano,
62% no terceiro ano e 47% no quinto ano.
Conclusão:
O resultado deste estudo prospectivo e randomizado
sugere perviedade semelhante em relação
às próteses de PTFE e Dacron para pacientes
submetidos a derivações extra-anatômicas.
Prof. Dr. Valter Castelli Jr.
Disciplina de Cirurgia Vascular da S. Casa de São
Paulo
Entrevista:
Acidente Vascular Cerebral
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) acomete principalmente
pessoas maiores de 60 anos. Mas também pode
vitimar pessoas mais jovens. É um quadro que
requer diagnóstico adequado e rápido
mas que, infelizmente, pode ser confundido com outras
ocorrências, como a crise hipertensiva, que
na verdade pode ser conseqüente de um AVC. O
Prof. Dr. Mario Cinelli Jr. é nosso convidado
deste mês para falar sobre o assunto.
Boletim - Quando se fala genericamente em AVC, de
que quadro estamos falando?
Dr. Mario Cinelli Jr. - Em cirurgia vascular, tratamos
do AVC do tipo isquêmico. São casos em
que ocorre oclusão de vaso. Se se trata de
um quadro hemorrágico, o especialista que cuida
do caso é o neurologista. Além de isquemia,
podemos também pensar em algum fragmento de
plaqueta ou coágulo que migra para o cérebro,
dificultando a irrigação de algum território.
De acordo com o local em que ocorre esta falta de
irrigação é que surge o sintoma.
Se ocorre no hemisfério esquerdo, pode causar
afasia (perda da fala), se ocorre em outros territórios,
podem aparecer outros sintomas, como a perda de movimentos
do rosto ou dos membros.
Boletim - Por que é comum confundir o AVC com
uma crise hipertensiva?
Dr. Cinelli - A crise hipertensiva pode acontecer
realmente, decorrente do nervosismo. Mas também
existem os AIT (Ataque Isquêmico Transitório),
que duram até 24 horas. Este quadro está
muito relacionado com problemas na carótida.
Nestes casos podem ser soltos coágulos que
vão para o cérebro. A AIT pode se restabelecer
inclusive sozinha, rapidamente ou, dependendo do local,
exigir meses e até anos de recuperação.
Boletim - Nestes casos mais leves ou quando ela se
restabelece sozinha, é possível notar
sintomas?
Dr. Cinelli - Às vezes, causa só uma
alteração visual, por exemplo, ou um
adormecimento no braço. Quando ocorre amaurose
fugaz (perda da visão) significa que houve
uma embolização em alguma pequena artéria
da retina. Este é um sintoma que pode ir e
voltar. Também pode ser que a pessoa tenha
um sopro na zona de projeção da artéria,
uma estenose. Se existe o sopro é preciso investigar.
Boletim - Falando em investigação, que
tipo de exames são recomendados ou indispensáveis?
Dr. Cinelli - Deve-se fazer sempre o exame clínico.
A partir daí, pode-se lançar mão
de outros exames, como o ultrassoom doppler, a ressonância
magnética, a arteriografia, a tomografia helicoidal.
Mas o principal exame é o exame clínico.
Os outros servem para confirmar e ajudar a definir
o quadro.
Boletim - A partir daí, confirmado o AVC, que
procedimentos imediatos devem ser tomados?
Dr. Cinelli - Se um destes exames define que há
estreitamento maior de 70% ou se a alteração
é muito grande, ou se há ulcerações
ou hemorragia dentro da placa, e ainda, quando há
vários AVC (AIT) seguidos, é preciso
operar. Se a artéria fecha totalmente ou seja,
em casos de oclusão aguda, não há
o que fazer.
Boletim - Indicada a cirurgia, que técnicas
são indicadas, em que casos?
Dr. Cinelli - A atitude clássica é a
endarterectomia, que consiste em abrir a artéria
e limpá-la internamente ou colocar um pedaço
de remendo. O remendo é usado principalmente
em mulheres. Quando o paciente já sofreu alguma
cirurgia anterior, pode-se, por exemplo, usar catéter
e balões. São usados dois balões
e um catéter, que vai aspirando. Mas devo alertar
que esta é uma técnica ainda incipiente
e que pode resultar em mais complicações.
Há limitações para se operar
com o balãozinho e, nos Estados Unidos, não
se faz mais este procedimento.
Boletim - Quando se pensa em prevenção
para AVC, que medidas isto engloba?
Dr. Cinelli - Existe um quadro de risco que é
o mesmo das doenças coronarianas em geral:
arterosclerose, obesidade, colesterol alto, dieta
rica em gordura, diabete, sedentarismo. Também
devemos pensar que os doentes podem Ter estas lesões
isoladamente ou em conjunto. Mas a carótida
mata menos do que o coração.
Boletim - Há algum tratamento preventivo?
Dr. Cinelli - Quem já teve algum problema cardíaco
pode se proteger com aspirina ou ticlide. Estas drogas
evitam a agregação das plaquetas e a
embolização. São drogas também
que funcionam tanto para o AVC quanto para o coração.
Mas exigem uso contínuo e nem todos os pacientes
podem usar.
Reunião científica
A próxima reunião acontecerá
no Hospital das Clínicas da FMUSP,
Serviço de Cirurgia Vascular da Escola Paulista
de Medicina (Unifesp)
Trabalhos científicos
ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL ROTO
Goulart, G.; Guillaumon, A.T.
Serviço de PS - Cirurgia Vascular - HC - Disciplina
de Moléstias Vasculares Periféricas.
UNICAMP-SP.
Objetivo: O trabalho tem por objetivo estabelecer
um programa de atendimento ao doente com AAAR na urgência
e emergência e, reduzir o grau de morbidade
e mortalidade.
Casuística: Constitui de doentes com AAAR,
atendidos no Pronto-Socorro da UNICAMP, de janeiro/1990
a dezembro/1995, em um total de 23 doentes, sendo
20 homens e 3 mulheres com idades variando de 44 a
80 anos. Seis doentes (26,08%) tinham conhecimento
da patologia e 17 (73,91%) não tinham. Cinco
doentes (22%) foram encaminhados de outros hospitais
com diagnóstico equivocado de cólica
renal, pancreatite, patologias de coluna vertebral
e lombalgia. Foram operados 18 doentes (78,2%) de
urgência e 5 doentes (21,7%) de emergência.
Dos 23 doentes atendidos no PS, seis não fizeram
TC, pois sabiam que apresentavam AAA e já tinham
feito exame radiológico recentemente.
Método: O estudo retrospectivo do atendimento
aos doentes com AAAR, no período de 1990 a
1995, no Pronto-Socorro (PS) do Hospital de Clínicas,
da Faculdade de Ciências Médicas na UNICAMP.
Os doentes foram divididos em dois grupos: Grupo(A)
aqueles que iniciaram o quadro clínico até
serem atendidos no PS num período de 24hs ou
superior e, o grupo(B) no período menor que
24hs. Também foi avaliado o tempo de oclusão
intra-operatório da aorta abdominal e as repercussões
clínicas surgidas.
Resultado: Dos 23 doentes, sobreviveram 11 (47,8%)
com 52,2% de mortalidade. O infarto agudo do miocárdio
foi a patologia que causou o maior número de
óbitos.
Conclusão: A atitude sistemática de
diagnosticar os doentes com AAA na região,
o atendimento do respectivo doente no PS com queixa
de dor abdominal ou lombar, com investigação
abdominal pelo método de imagem seguido de
cirurgia imediata, foram os fatores primordiais para
diminuir o grau de morbimortalidade no intra e pós-operatório.
O protocolo para o atendimento dos doentes com dor
abdominal, se torna imperativo para diminuir a morbimortalidade
dos doentes com AAAR.
Uma forma de medir o volume endovascular
Domingos Guerrino Silva(2), Nilo M. Izukawa (3), Lannes
A. V. Oliveira(2),
Heraldo A . Barbato(1), Fernando D. Malheiros(1),
Fabio H. Rossi(1) e Angela Tavares Paes(4)
Resumo:
Foi realizado um módulo, com o objetivo de
medir o volume vascular de artérias e veias.
A determinação deste dado tem grande
importância em Anatomia, Patologia e Cirurgia
Vascular, permite caracterizar as variáveis
anatômicas e patológicas dos vasos. Com
a evolução dos estudos hemodinâmicos,
a busca de dados mais exatos de diâmetros internos,
espessuras de parede vascular e o volume endovascular
se fazem necessários. Para verificar a acurácia
deste módulo foram selecionadas artérias
de suínos. Foram medidas no módulo o
volume endovascular e comparadas com medidas obtidas
por paquímetro os diâmetros externos
e com o micrômetro as espessuras dos vasos.
Os resultados foram confrontados e submetidos aos
testes estatísticos T de Student e Wilcoxon.
Conclusões:
1- Os valores encontrados nos tipos de mensuração
se correspondem, com a mesma acurácia.
2- O módulo idealizado demonstrou ser eficiente
para mensuração do volume endovascular
e de fácil manipulação pelo pesquisador.
(1) Cirurgião Vascular do Setor de Vascular
Periférico do Instituto "Dante Pazzanese"
de Cardiologia (IDPC)
(2) Doutor - Cirurgião Vascular - Assistente
do Setor de Vascular Periférico do IDPC
(3) Doutor - Cirurgião Vascular - Chefe de
Setor Vascular Periférico do IDPC
(4) Mestre em Estatística - Laboratório
de Epidemiologia e Estatística - IDPC
Valvestent: Desenvolvimento de uma Prótese
percutânea para o
Tratamento da Insuficiência Venosa Crônica
dos Membros Inferiores
Dr. Francisco José Osse, Dra. Patrícia
E. Thorpe, Dr. Luís Otávio Correa
Irmandade da S. Casa de Misericórdia de São
Paulo - SP
R. Ferreira de Araújo, 496 - ap. 52, Pinheiros
- São Paulo/SP 05428001
Objetivos:
A insuficiência valvular venosa, primária
ou pós-trombótica, é causa de
morbidade mundial significativa. A reconstrução
cirúrgica ou a transposição de
válvulas não produzem solução
consistente para a lesão valvular. Estudamos
as possibilidades de utilização de uma
prótese endovascular valvulada em um modelo
animal porcino para avaliar sua eficácia, trombogonicidade
e histocompatibilidade.
Material e métodos:
Uma endoprótese autoexpansível modificada
foi combinada a um tipo de material biocompatível,
o qual foi moldado no formato esférico e montado
à semelhança de uma válvula bicuspe.
As valvas foram fixadas à estrutura metálica
através de suturas separadas de mononylon 7-0.
Testes hidrodinâmicos e pressônicos foram
conduzidos em um modelo mecânico artificial
com fluxo pulsátil variável. Após
a confirmação da integridade valvular
um estudo piloto animal foi realizado. Sob anestesia
geral, Valvestents foram implantados a partir de uma
punção na veia jugular na veia cava
inferior distal de quatro porcos com seis meses de
idade. Estes animais foram mantidos anticoagulados.
Após trinta dias de observação,
sem mortalidade ou trombose venosa, um segundo grupo
de quatorze porcos foi submetido a uma flebografia
e implante dos Valvestents. A análise continuada
através da realização de flebografias,
retirada cirúrgica em bloco do Valvestent e
as veias regionais para estudos histológicos
foram realizados em 30, 60 e 180 dias.
Resultados:
Os testes hemodinâmicos iniciais revelaram refluxo
de 10% a 20%, os quais foram corrigidos com modificações
no desenho da prótese. A válvula abre
com baixa pressão e mantém sua configuração
com pressões hidrostáticas elevadas
por cima. Todos os animais recuperaram-se rapidamente
do procedimento de implante. A taxa de sobrevida em
30 dias foi de 78% (14/18). Um animal morreu de hipertermia
maligna durante o implante e três animais morreram
6 a 8 dias após os procedimentos devidos a
hemorragia interna relacionada à anticoagulação
oral. A patência primátia do Valvestent
em 30 dias foi de 100%. Um valvestent migrou para
a artéria pulmonar, porém, permaneceu
patente. A análise dos resultados de seis meses
serão apresentados.
Conclusão:
A combinação de uma prótese autoexpansível
e uma material biocompatível para a construção
de um substituto valvular durável, flexível
e não-trombogênico, o qual previne o
refluxo parece factível. O implante percutâneo
desta prótese permitirá um tratamento
minimamente invasivo para a insuficiência valvular
dos membros inferiores.
Agenda
Eventos nacionais
XV Encontro de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio
de Janeiro
data: 19 a 21 de maio
local: Centro de Convenções do Colégio
Brasileiro de Cirurgiões - Rio de Janeiro/RJ
tel.: (0__21) 263-1625
fax: (0__21) 263-4884
III Encontro de Angiologia e Cirurgia Vascular da
Santa Casa de Ribeirão Preto
Data: 26 e 27 de maio
local: Hotel Taiwan Ribeirão Preto
Informações: (0__16) 635-7846 / 632-9898
e-mail: matizeventos@netsite.com.br
VIII Jornada de Cirurgia Vascular e Angiologia FAMERP/IMC
data : 09 e 10 de junho
local : Anfiteatro Fleury da Faculdade de Medicina
de São José do Rio Preto - SP
endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 5416 Vila
São Pedro
inscrições e informações:
(0__17) 224-9250 fax (0__17) 225-5488 ou e-mail: cenacon@zaz.com.br
coordenador científico: Dr. José Dalmo
de Araújo
No programa estão previstos os seguintes módulos:
Arterial (moderador: Dr. José Dalmo de Araújo);
Trauma (moderador: Dr. Carlos José de Brito);
"Como eu faço" (moderador: Dr. Pedro
Puech-Leão); Discussão de Casos (moderador:
Dr. Luiz Francisco Poli de Figueiredo); Duplex Scan
(moderador: Dra. Maria Elisabeth Rennó de Castro
Santos); Cirurgia Endovascular (moderador: Dr. Francisco
H. de Abreu Maffei) e Venoso (moderador: Dr. José
Mário Marcondes dos Reis)
VIII Prêmio Rocha Lima
III Congresso Médico Acadêmico
Departamento Científico do Centro Acadêmico
Rocha Lima
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade
de São Paulo
data: 5 a 7 de outubro
local: Anfiteatro de Bioquímica da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto
O Departamento Científico do Centro Acadêmico
Rocha Lima, objetiva premiar os melhores trabalhos
científicos realizados pelos alunos de Medicina,
durante o curso de graduação em atividades
de monitoria, iniciação e de estágios
junto a grupos de pesquisa. O VIII Prêmio Rocha
Lima será atribuído aos trabalhos apresentados
oralmente ou em painéis durante o III Congresso
Médico-Acadêmico.
Resumo do regulamento:
1- Categoria dos trabalhos: todas que envolvem a formação
do médico
2- Normas: ver http://www.fmrp.usp.br/carl/coma.html
3- Apresentação de trabalhos: tipo poster,
medidas do painel = 110cm x 110cm
4- Data limite para envio de resumos: 21/07/00
5- Taxa de inscrição: R$ 10,00 (sócio
CARL), R$ 15,00 (não-sócio), R$ 20,00
(outras faculdades) e R$ 20,00 (não aluno)
informações: Av. Bandeirantes, 3900
14040-220 Ribeirão Preto/SP e-mail: coma@fmrp.usp.br
34o. Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia
Vascular
de 20 a 25 de outubro
local: Hotel Inter Continental Rio - Rio de Janeiro/RJ
tel.: (0__21) 286-2846
fax: (0__21) 537-9134
Participe:
Você pode mandar artigos e informações
sobre cursos e eventos. Faça também
suas críticas e sugestões ao novo Boletim
Informativo da SBACV - SP. Mande seu e-mail para:
sbacv@shaman.com.br.
E visite também o site da Sociedade: www.sbacv.sp.org.br