Trabalhos de Maio:

1- AVALIAÇÃO DA PERFUSÃO RENAL NO PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO DO ANEURISMA TORACOABDOMINAL
Anacleto A, Morales M, Mello M, Berbert M., Bastos E, Ferraz R, Sales F, Anacleto J. C.
INVASE-Instituto de Cirurgia Vascular e Endovascular
Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto.
I.M.C. de São José do Rio Preto. SP-Brasil
 
Introdução: No paciente em pós-operatório imediato (POI) de correção de aneurisma toracoabdominal (ATA), com insuficiência renal aguda (IRA), é essencial distinguirmos em tempo hábil se a IRA ocorreu por isquemia transitória renal (pinçamento) ou se houve oclusão da artéria renal por defeitos técnicos do seu reimplante que são passíveis de correção. A cintilografia por radionuclídeo dinâmico (CPR), nos fornece dados sobre perfusão e excreção renais com diagnóstico precoce da oclusão. Método: de 1997 à 09/2004 operamos 205 ATA, 62 pacientes (30%) apresentaram elevação de creatinina (>de3mg/dl) no POI. Em 16 pacientes, a IRA foi de instalação súbita. Nos 5 primeiros casos em que ainda não utilizávamos a CPR, mantivemos suporte clínico. Os 11 casos subseqüentes foram estudados com CPR. Em 6 casos, o exame demonstrou déficit de excreção, mas não de perfusão; em 3 casos detectou oclusão de uma artéria renal; em 2 casos, oclusão de uma artéria renal e estenose da outra. Resultados: nos 5 primeiros pacientes em acompanhamento clinico, houve estabilização da creatinina, em um paciente houve a necessidade de diálise. A avaliação tardia com ecodoppler mostrou que, 3 dos 5 pacientes haviam perdido um rim. No grupo de 11 pacientes submetidos a CPR, 3 receberam Stent na artéria renal, 2 foram re-operado para revascularização. Nos outros 6, o acompanhamento foi clínico. Conclusão: a cintilografia renal pode ser muito útil no diagnóstico diferencial da isquemia renal no POI de correção dos ATA em substituição ao ecodoppler, prejudicado pelo íleo paralítico, à angiografia renal que pelo uso de contrate nefrotóxico pode ainda agravar a lesão renal, e à ressonância que não permite a monitorização adequada do paciente durante o exame. A CPR é prática, tem boa sensibilidade e especificidade. Permite o diagnóstico precoce das alterações de perfusão renal dos pacientes operados por ATA, viabilizando seu tratamento.
Comentador: Dr. André Estensoro



2- Evolução do saco aneurismático após a exclusão cirúrgica dos aneurismas de artéria poplítea
Wakassa,TB; Matsunaga,P; da Silva,ES; Pinto,CAV; Kauffman,P; Aun,R.; Puech-Leão,P.
Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Introdução
Os aneurismas de artéria poplítea, embora infrequentes, são o segundo mais freqüente, após os de aorta abdominal, e o aneurisma periférico mais comum, em torno de 70%.
 A sua grande importância está relacionada ao alto índice de eventos trombo-embólicos e ao risco de perda de membro1. Compressão local e rotura são eventos pouco freqüentes1-3. Diante disto, várias são as técnicas cirúrgicas já descritas para a correção do aneurisma de artéria poplítea e ainda há discussões de quando indicar o tratamento cirúrgico5-8. Por outro lado, poucos são os registros sobre a evolução do saco aneurismático após a sua ligadura a exclusão.
Este estudo tem por objetivo avaliar a evolução do aneurisma de artéria poplítea, após a sua exclusão com ligadura proximal.
Materiais e Métodos
Foi realizada uma análise prospectiva de todos os pacientes operados por aneurisma de artéria poplítea, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no período de 1996 a 2004. Os pacientes foram submetidos à avaliação ultrassonográfica pós-operatória com determinação tardia do diâmetro e do fluxo do aneurisma após ligadura e comparação com diâmetro pré-operatório.
Foram excluídos do estudo os pacientes sem medida pré-operatória do diâmetro do aneurisma, os que evoluíram com óbito após a cirurgia ou que necessitaram de amputação posterior do membro, os que perderam seguimento ambulatorial e ainda aqueles de não tiveram o diâmetro do aneurisma especificado no laudo do exame de ultrassonografia com doppler.
Resultados
Foram operados 26 pacientes no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, no período de novembro de 1996 a maio de 2004, sendo 3 mulheres e 23 homens. Nove pacientes tinham aneurisma de artéria poplítea bilateralmente. Foram corrigidos cirurgicamente 33 aneurismas de artéria poplítea.
A idade variou entre 43 anos e 86 anos com média de ... e as principais doenças associadas foram: hipertensão arterial sistêmica (21/26), diabetes mellitus (4/26), dilipidemia (6/26), tabagismo (8/26), ex-tabagismo (12/26) e insuficiência coroariana (4/26).
Apenas 21 pacientes possuíam registro pré-operatório do diâmetro aneurisma. Destes, 2 pacientes evoluíram a óbito, 5 perderam o seguimento ambulatorial, 1 foi diagnosticado no intra-operatório por isquemia aguda de membro. Assim, foram disponíveis para o estudo 13 pacientes (16 aneurismas de artéria poplítea).
O controle tardio ultrassonográfico do aneurisma foi realizado em intervalo de 1 mês a 7 anos, com média de . Houve diminuição do diâmetro do aneurisma de artéria poplítea em 9/16 casos (variação de 0,2cm a 2,3cm), aumento em 5/16 casos (variação de 0,3cm a 3,3cm) e não variou em 2/16 casos. O maior crescimento de aneurisma ocorreu em um paciente que apresentou pseudo-aneurisma de anastomose proximal e que evoluiu com amputação do membro. Quanto ao fluxo, este foi ausente em 11/16 casos e presente em 4/16 casos. Dois dos pacientes com fluxo presente no aneurisma excluso apresentaram aumento do diâmetro do mesmo.
Comentador: Dr. José Dalmo Filho
 

3- TRATAMENTO DAS LESÕES INTRACRANIANAS ASSOCIADAS À ESTENOSE DA BIFURCAÇÃO CAROTÍDEA
Morales M, Anacleto A, Berbert M, Mello M, Bastos E, Ferraz R, Cêntola C, Anacleto J. C.
INVASE-Instituto de Cirurgia Vascular e Endovascular
Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto.
I.M.C. de São José do Rio Preto. SP-Brasil
Introdução: a presença de estenose carotídea intracraniana (ECI) não altera a indicação cirúrgica nem os resultados da endarterectomia da bifurcação carotídea. Isto, aliado aos riscos elevados de abordar cirurgicamente as ECI nos faz menosprezar tanto o diagnóstico quanto o tratamento, mesmo sabendo-se que as EIC podem cursar com 5 a 6% AVC ao ano. O desenvolvimento dos materiais e da técnica endovascular nos permitiu rever condutas no diagnóstico e tratamento das ECI críticas. Este trabalho mostra a prevalência destas lesões e nossa experiência inicial no seu tratamento. Metodologia: realizou-se 249 angiografias cerebrais de 1999 a 09/2004 em pacientes em que o ecodoppler mostrava estenose significativa da bifurcação carotídea. 30 (12%) pacientes, totalizando 38 carótidas apresentaram ECI. Em 5 carótidas as estenoses eram inferiores a 50%; em 22, as estenoses eram de 50 a 70%; em 5, de 70 a 80% e em 6, superior a 80%. O local mais freqüente de estenose foi a porção cavernosa (26), seguida pela petrosa (7). Foram tratados 10 pacientes com angioplastia e colocação de Stent. A endarterectomia carotídea foi realizada em 28 pacientes e sempre precedeu o tratamento da EIC. Os pacientes em que o tratamento endovascular não foi indicado, permaneceram em acompanhamento clínico. Resultados: o seguimento variou de 1m a 4 anos (M=15m). Dos 10 pacientes tratados, 1 evoluiu com cefaléia e afasia de expressão (36 horas). Em 1 caso houve falha técnica pela tortuosidade do vaso. No seguimento houve 1 óbito por infarto agudo do miocárdio e 1 AVC em paciente que não foi tratado. Conclusões: a prevalência de EIC é significativa nos portadores de estenoses da bifurcação carotídea. O ecodoppler não foi capaz de detectar ECI. A técnica endovascular é uma nova perspectiva para o tratamento destas lesões cujos riscos e benefícios ainda precisamos estabelecer através de estudos prospectivos.
Comentador Dr. Walter Karakanian